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Perri afirma que grupo do Ministério Público queria afastá-lo

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Redação

TJMT

Orlando Perri desembargador

Perri: haveria um “grupo no Ministério Público” envolvido com a “organização criminosa”

Na decisão que determinou a prisão de secretários, ex-secretários e outros investigados no caso dos grampos ilegais, o desembargador Orlando Perri afirma que um grupo do Ministério Público Estadual (MPE) estaria interessado em afastá-lo do caso. A informação é baseada em uma conversa gravada entre o coronel Evandro Alexandre Ferraz Lesco, ex-chefe da Casa Militar, e o tenente-coronel José Henrique Costa Soares.

Um promotor, que teve o nome retirado na decisão, estaria colaborando com o grupo de dentro do MPE.

“Ten.-Cel. Soares: Hein Lesco? É ainda bem que tem o Ministério Público do nosso lado, por que, p***, se não tivesse, tava f***** né [risadas].
Cel. Lesco: … coisa grande.
Ten.-Cel. Soares: Aí tava pior ainda né.
Cel. Lesco: [nome do promotor] enfrentou só que é um contra trinta é f*** né, ele falando sozinho.
Ten.-Cel. Soares: É uma desleal
Cel. Lesco: Desleal, desleal…
Ten.-Cel. Soares: É uma briga desleal.
Cel. Lesco: E é bom que o [nome de procurador de justiça] já comprou a briga de novo né.
Ten.-Cel. Soares: Ham, ham.
[…]
Ten.-Cel. Soares: Hum, deixa eu te falar, dessa época aí meu irmão eu bati de frente com o Ministério Público. Assim, eu falei: “cadê oh”, fala que houve enriquecimento ilícito, tudo bem, mas cadê?
Cel. Lesco: Agora não, agora o Ministério Público é nosso aliado”.

Perri afirma que, baseado em informações colhidas até o momento, existiria um grupo dentro do MPE agindo contra ele. “Realmente, segundo afirmações da provável organização criminosa, os tentáculos dela alcançaram um grupo do Ministério Público, que tinha o interesse de também afastar-me das investigações”, escreveu o desembargador.

O tenente-coronel Soares prestou depoimentos colaborando com as investigações. Ele teria sido “aliciado” pelo grupo para colher áudios e informações de Orlando Perri a fim de colocá-lo sob suspeição no caso, que tramita no Tribunal de Justiça. As ações teriam como objetivo blindar o secretário de Justiça e Direitos Humanos, coronel Airton Benedito Siqueira e o secretário afastado de Segurança Pública, Rogers Jarbas.

Perri cita um testemunho de Soares, que teria revelado que o indiciamento do coronel Siqueira iria, supostamente nas palavras do coronel Lesco, “fragilizar o grupo” e que a prisão dele “não poderia ocorrer de forma alguma”. O ex-chefe da Casa Militar teria dado uma ordem para que Soares fizesse o que tivesse que ser feito para impedir que Siqueira fosse incriminado.

O desembargador afirma que até mesmo Soares, “iletrado no mundo jurídico”, via a participação de Siqueira, mas não o MPE. “Todos viram, menos o Ministério Público”, escreveu Perri.

Outro lado
Procurado pelo LIVRE, o procurador-geral de Justiça, Mauro Curvo, ainda não se manifestou sobre as acusações referentes ao MPE.

Operação Esdras

A Operação Esdras foi deflagrada na manhã desta quarta-feira (27) com a prisão do secretário de Estado de Justiça e Direitos Humanos, coronel Airton Siqueira, e o secretário afastado de Segurança Pública, Rogers Jarbas, além do ex-secretário da Casa Civil Paulo Taques – este pela segunda vez no caso – e do ex-chefe da Casa Militar coronel Evandro Ferraz Lesco. Também foram presos a esposa de Lesco, Helen Chirsty Carvalho Dias Lesco, o sargento João Ricardo Soler, o major Michel Ferronato e o empresário José Marilson da Silva.

O advogado Marciano Xavier das Neves teve um pedido de prisão transformado em medidas cautelares – uso de tornozeleira eletrônica.

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27 de abril de 2026 03:10