Cidades

Luciene Carvalho apresenta o universo da mulher de 50 anos na obra “Dona”

Foto de Maria Clara Cabral
Maria Clara Cabral

Na próxima quarta-feira, 14, o Teatro do Sesc Arsenal recebe, em formato de espetáculo “cênico-literário”, o lançamento da nova obra da imortal da Academia Mato-grossense de Letras Luciene Carvalho, com entrada gratuita. “Dona”, parceria com a editora Carlini & Caniato, é uma expressão poética de dilemas, desafios e belezas que chegam com a maturidade feminina, motivada por um processo pessoal da escritora.

“O trabalho começou com uma percepção de que a crise que eu vivi em 2014, às vésperas de completar 49 anos, estava ligada a uma crise dos 50, talvez hibernada por anos. Então comecei a canalizar poeticamente”, conta ‘Dona’ Luciene Carvalho.

Segundo ela, um livro sobre “mins”, portanto, se fortalece na busca de suas iguais, experiências sobre as quais ela contestou um processo de invisibilidade. “Ao procurar essas mulheres, percebi uma negação desse período, na mulher e na sociedade. As novinhas de 20 o funk canta, as balzaquianas, aos 30, são apresentadas literariamente. Depois disso, a mulher aparece como a vovozinha que só o lobo mal come”, explica a autora.

Será que nossa religiosidade, cultura judaica e crista ainda prega que sexo, prazer e eroticidade está a serviço de procriação?, refletiu a poeta e lançou a hipótese: “A mulher de 50 anos metamorfoseia a mulher que não procria, talvez daí ela já não esteja nos padrões”.

Suas percepções se somaram, ainda, ao luto da perda da mãe, o poder da mulher no comércio, resultando, enfim, em “Dona”. “’Dona’ porque tem potência. É apropriação e propriedade, não sei, mas é próprio para essa mulher. Espero gerar identificação e contribuir para a construção de um saber, é um prelúdio para as donas tomarem consciência de si mesmas”, conclui Luciene.

A cênica literária da obra tem direção de Wagton Douglas, produção de Raul Lázaro, imagens de Emerson, sonoplastia de Alexandre Matos e stayle de Gilson Nonato.

Luciene Carvalho

Luciene Carvalho é escritora e poeta, autora de obras premiadas e condecoradas, como “Conta-gotas”, “Sumo da lascívia”, “Aquelarre ou o livro de Madalena”, “Porto”, “Cururu e Siriri do Rio Abaixo (Instituto Usina)”, “Caderno de caligrafia (Cathedral)”, “Teia (Teia 33)”, “Devaneios poéticos: coletânea (EdUFMT)”, “Insânia (Entrelinhas)” e “Ladra de flores (Carlini & Caniato)”.

Parte importante do seu trabalho, como declamadora, se faz em shows poéticos em que une figurino, efeitos cênicos e trilhas musicais para oferecer sua poesia viva e colocá-la a serviço da emoção da plateia. Luciene ocupa a cadeira nº 31 da Academia Mato-grossense de Letras.

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