Pelos próximos sete dias, a chuva intensa que caiu sobre Cuiabá e Várzea Grande na tarde de segunda-feira (3) deve ser rotina. A previsão é do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que emitiu um alerta amarelo, não só para todo Mato Grosso, mas também para Goiás, Rondônia e parte do Tocantins e do Pará.
O alerta amarelo significa que, além da chuva intensa, é possível que haja ventos de até 60 km/h. O risco de raios, cortes de energia e quedas de galhos, segundo o site do Inpe, é baixo. O instituto ainda pode emitir alertas laranja e vermelho.
Já os alagamentos, de acordo com as Defesas Civil de Cuiabá e Várzea Grande, são recorrentes, mesmo se o aviso do Inpe for o mais brando.
E a culpa, nos casos das duas cidades, não costuma ser exclusivamente do volume de água vinda do céu, mas da intervenção do homem na terra.

Cristiane Prado, coordenadora da Defesa Civil de Várzea Grande, afirma que, por lá, o problema são as ligações irregulares de esgoto na rede pluvial do município.
Em tempos de seca, o esgoto produzido por essas casas vai embora normalmente. Quando chove, no entanto, o fluxo de água da chuva faz com que as canaletas não sejam suficientes.
“Tivemos algumas situações no bairro Jardim Alá. Não era enchente por conta das chuvas, era o caso de pessoas que ligaram o esgoto na boca de lobo. Com isso, a água voltou toda para dentro da casa, pelo banheiro”, ela conta, destacando que o bairro sequer está entre as áreas de risco da cidade.
Em Cuiabá, conforme a engenheira civil Luzinete Mércia Vieira da Silva, especialista em fiscalização da Defesa Civil da Capital, a questão é a impermeabilização do solo. Segundo ela, o volume crescente de áreas asfaltadas e terrenos cimentados impede que o solo absorva a água tanto quanto poderia.
Áreas de risco
As áreas de risco em Cuiabá, hoje, totalizam mais de 1,3 mil hectares e, pelo menos, cinco mil famílias vivem nessas regiões. São cerca de 20 a 25 mil pessoas cujas casas são monitoradas pela Defesa Civil do município.
Uma região que engloba seis bairros – entre eles Jardim Vitória, Jardim Florianópolis e Alto da Serra – é a principal preocupação dos fiscais em tempos de chuva.
“É uma área muito sujeita a deslizamentos e enxurrada, porque as margens dos córregos estão tomadas pelas casas”, explica Luzinete.

Mas o problema não é exclusividade das regiões periféricas da cidade. Moradores do Jardim Itália – um dos metros quadrados mais caros de Cuiabá – também estão na lista da Defesa Civil.
Nesta área da cidade, o problema – que vem sendo resolvido – são as linhas de alta tenção que percorrem, por exemplo, a Avenida das Torres. O risco é o rompimento de um cabo de energia.
O que fazer?
Em Cuiabá, os moradores das áreas monitoradas têm um número de SMS (40199) pelo qual podem pedir socorro. Basta enviar o número do CEP da rua para a Defesa Civil saber que tipo de ocorrência terá que atender.
Em Várzea Grande, a orientação é acionar o Corpo de Bombeiros, pelo 190.
Mas algumas atitudes básicas também valem para quem está na rua, no carro ou se viu em meio a uma enchente, mesmo não sendo algo comum na região em que mora.
Cristiane Prado e Luzinete da Silva dão as dicas.
1. Alagou? Não fique em casa
A dica é ficar atento ao nível da água na rua e tomar uma atitude antes que seja tarde.
Luzinete lembra: antes de sair, coloque alimentos em locais mais altos e, se possível, preteja móveis e eletrodomésticos da mesma forma.
Além disso, desligue a energia elétrica!
2. Não fique na rua
Se você precisou sair de casa, procure abrigo com vizinhos próximos ou parentes.
No caso de estar na rua quando a enxurrada começar, saia debaixo de árvores, postes ou pontos de ônibus. Lojas e prédios são abrigos mais seguros.

3. Só dirija com visibilidade
Para quem está no trânsito, a recomendação das duas profissionais é parar o carro, caso não seja possível enxergar com clareza o caminho.
O motorista também deve evitar entrar em ruas já alagadas e, se acabar preso em uma delas, ficar atento ao nível da água.
Ao menor sinal de que o carro pode ser invadido pela chuva, você deve abandoná-lo.
4. Chame as autoridades competentes
Se você encontrar uma pessoa em situação de risco, a primeira iniciativa deve ser chamar o Corpo de Bombeiros, a Defesa Civil ou mesmo a Polícia Militar.
Cristiane Prado lembra que, ao tentar socorrer alguém, uma pessoa sem treinamento específico pode acabar se tornando mais uma vítima.
5. Evite a água da enxurrada
Quando voltar para casa, depois de uma situação de alagamento, o cuidado deve ser na hora de higienizar os móveis e o ambiente.
Luzinete alerta que as pessoas não devem pisar, tocar ou reaproveitar a água da chuva, pois o risco de contaminação é iminente.




