5 Perguntas para Norma Gatto: “nós mulheres temos a capacidade de fazer acontecer”

Após a morte do marido, Norma passou a liderar os negócios da família, se tornou referência e é a homenageada da 4ª edição do Congresso das Mulheres do Agronegócio

Foto: José Medeiros

No ano em que completa quatro décadas desbravando as terras mato-grossenses, a produtora rural Norma Gatto é a grande homenageada desta 4ª Edição do Congresso de Mulheres do Agronegócio, a ser realizada nesta semana, em São Paulo (SP).

Nascida em Salto do Jacuí, interior do Rio Grande do Sul, em uma família de agricultores, Norma chegou em 1979, em Rondonópolis, onde fez morada. À época, cuidava da família, enquanto o marido tocava os negócios e as finanças. Anos se passaram e o casal teve três guris: Igor, Felipe e Eduardo.

Tudo ia bem até o fim dos anos 2000, quando uma tragédia interrompeu a rotina da família. O marido de Norma foi assassinado por um ex-funcionário. A partir do triste episódio, um mundo de incertezas se abriu diante de Norma.

Da necessidade ela encontrou forças e fez das lavouras seu sustento. Pediu ajuda e recebeu. A cada nova safra, um novo recorde de produtividade e três safras depois de ter ficado viúva, Norma teve a certeza de que daria conta, mesmo em um ambiente tão masculino.

A superação e determinação da agricultora hoje servem como exemplo para muitas outras mulheres. Ao LIVRE, ela disse que já perdeu a conta de quantas vezes foi convidada para falar da sua história e se orgulha de poder devolver um pouco do conhecimento que adquiriu quando muitos lhe estenderam a mão.

Enquanto arrumava as malas para o Congresso, ela respondeu as Cinco Perguntas para o LIVRE. Com três unidades produtoras e uma destinada a pecuária, Norma se alegra ao falar da consolidação do seu esforço, o Grupo Gatto. Outro tema que arranca um sorriso da homenageada e mãe orgulhosa, é falar dos filhos, que seguiram o caminho do pai.

1 – Como se sente ao ser homenageada nesta edição do Congresso Brasileiro de Mulheres do Agro e representar tantas mulheres do campo?

Norma – Eu nunca tinha pensando que o que eu fiz pudesse algum dia fazer a diferença para algumas mulheres. Mas eu falo sempre, eu fui tão ajudada por tanta gente, que hoje ajudar as pessoas contando um pouco da minha história me dá satisfação, porque eu posso contribuir um pouquinho e acabo encorajando outras mulheres

2  – A mulher é o agente transformador do agro, muitas vezes, em meio à resistência masculina?

Norma – Eu acho que depende muito do nosso empenho e vontade de realizar, sem isso não temos o poder de transformar. A gente tem que ter coragem e enfrentar porque nós temos a capacidade de fazer acontecer. Essa é a verdade.

3 – Durante esses 40 anos em Mato Grosso em algum momento pensou em desistir?

Norma – Não. Eu nunca tive esse pensamento. Sempre fui determinada e era a necessidade que me fazia continuar.

4 – Sobre esse levante feminino no agro, com base em sua experiência de vida, o que fazer para que esses movimentos se consolidem?

Norma – Uma coisa que eu sempre fiz na minha vida: buscar informação, conteúdo. A necessidade de grupos de mulheres existe, é real, a gente sozinha não é capaz de fazer nada. Mas você tem que ter exemplos para seguir, e mais, dar exemplos para ser seguida. E que a competitividade existente no mundo feminino seja aproveitada de uma forma saudável, que te estimule a realizar ainda mais.

5 – Chegou a hora das entidades representativas do agro mato-grossense serem lideradas também por mulheres, a exemplo do Ministério da Agricultura?

Norma – Eu já concorri à presidência da Aprosoja. À época, não pela minha vontade, mas pela insistência das pessoas. A nossa vida é tão corrida que não sobra muito tempo. E eu penso que quando a gente se dispõe a fazer algo, temos que fazer bem feito. Então, eu acho que se tem mulher com essa capacidade, porque não? Seguindo até o exemplo da minha amiga, ministra da Agricultura, Tereza Cristina, que é super competente, dinâmica, foi uma escolha muito assertiva do setor. Ela tem uma fora diferente de elogiar e cobrar, ela tem uma visão do real. Ela é do campo, sabe das necessidades do agro. Tudo o que ela faz é algo realmente necessário para o produtor rural.

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