22% da população de Cuiabá: quem são os trabalhadores essenciais?

Para eles, ficar em casa para proteger a saúde não é uma opção. E a maioria depende exclusivamente do SUS para salvar suas vidas

(Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Ficar em casa, há quatro meses, é sinônimo de mais garantias de que sua saúde estará à salvo. Mas para pessoas que escolheram 52 profissões como meio de sustento não há essa opção.

Eles são os trabalhadores dos serviços essenciais e vão muito além dos médicos e enfermeiros. Na lista há entregadores, seguranças, motoristas, faxineiros.

Dados da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo em Mato Grosso (Fecomércio-MT) revelam que essas pessoas correspondem a 22% da população de Cuiabá. 

Mas qual é o perfil socioeconômico desses trabalhadores? O LIVRE foi em busca dessa informação e constatou: a maioria é pobre e depende do Sistema Único de Saúde (SUS).

Expostos ao risco

Há pouco mais de duas semanas, quando a Jusitça determinou e a Prefeitura de Cuiabá acatou a quarentena obrigatória, só esses profissionais deveriam estar circulando pela Capital.

São quase 134 mil pessoas que não tiveram a alternativa do home office. Continuaram tendo que fazer o trajeto de casa para o trabalho e do trabalho para casa. E 40% delas dependem do transporte coletivo para esse descolamento. 

Fecomércio aponta que 40% dos trabalhadores em atividade na quarentena obrigatória dependem do transporte coletivo (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Para se ter uma ideia, nos últimos meses, o volume de usuários de ônibus em Cuiabá registrou média de 167,5 mil pessoas por dia, de acordo com dados da Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob). Isso com a queda de 33% em comparação ao fluxo diário de antes da pandemia. 

Um dado alarmante se considerarmos uma pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), divulgada no fim de junho, que apontou o transporte coletivo como o segundo lugar onde mais se corre risco de contrair o novo coronavírus. 

De acordo com o levantamento, os ônibus só não são piores que os ambientes hospitalares.

Superintendente da Fecomércio-MT, Igor Cunha pondera ser difícil afirmar com precisão qual a média do ganho mensal desses trabalhadores essenciais, mas aponta para uma variação de um a dois salários mínimos (R$ 1.045).

Dependência do SUS 

Conforme o superintendente, esses profissionais, hoje, contam com maior assistência médica via contratos de planos de saúde básicos intermediados pelos empregadores. Porém, não há dados da cobertura. 

A última pesquisa do Ministério da Saúde é datada de 2015. Apontou que 71% dos brasileiros dependem a rede pública de assistência médica.

Os dados mostravam que os serviços públicos mais procurados eram os de emergências, como as Unidades de Pronto Atendimento (UPA) ou diretamente em hospitais (11,3%). 

Os consultórios e clínicas particulares atraiam somente 20,6% dos brasileiros. Outros  4,9% buscavam emergências privadas, quando necessário. 

Negras e pobres 

Médico sanitarista e que atua no Sistema Único de Saúde, o deputado estadual Lúdio Cabral (PT) afirma que as pessoas que continuam a sair para trabalhar são integrantes de famílias numerosas e que moram nas zonas de periferia de Cuiabá. 

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

O tamanho dessas famílias, em geral, está acima da média nacional de quatro pessoas por casa. E, normalmente, elas são sustentadas por uma mulher na faixa dos 40 anos de idade. 

“A própria técnica de enfermagem que está saindo para trabalhar nos hospitais está nesse grupo de população, que dependem dos serviços de assistência públicos. Se você andar pelas ruas hoje em Cuiabá, você vai ver a mulher negra, com idade na casa dos 40 anos saindo para trabalhar”, afirma. 

Para o deputado, a pandemia e os decretos de funcionamento parcial da economia expõem o problema brasileiro crônico de desigualdade socioeconômica. 

“Se você entrar em qualquer mercadinho hoje, você vai ver que a caixa, geralmente, é uma mulher negra, que continua a trabalhar para atender aquelas pessoas que possuem mais condições de se manter protegidas em casa”, pontua. 

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