2020 é ano de eleição! Veja como está o mapa da política em Cuiabá

O processo está só começando e muita coisa ainda pode mudar, mas três nomes você pode escrever: Emanuel Pinheiro, Blairo Maggi e Mauro Mendes

Todo ano eleitoral a história se repete: inúmeros candidatos a candidato a prefeito aparecem e uma infinidade de partidos apresentam nomes para, digamos, “valorizar seu passe” na hora de compor as alianças que, de fato, vão chegar às urnas.

O caso de 2020 não é diferente. Pelo menos 10 grupos políticos ou partidos já anunciaram, desde o final do ano passado, que vão ter um nome na urna eletrônica, em outubro, disputando o comando da Prefeitura de Cuiabá.

Dessa vez, no entanto, uma mudança na regra eleitoral pode fazer – segundo membros de diferentes legendas ouvidos pelo LIVRE – com que essa quantidade de candidaturas realmente se efetive. Trata-se do fim das coligações para disputar o cargo de vereador.

A tese que virou consenso entre os políticos é: ter um candidato próprio a prefeito – mesmo que ele não tenha tantas chances assim de vencer – pode fortalecer as candidaturas a vereador.

Mas como disputar uma eleição sabendo que vai perder, além de significar mais dois anos de “desemprego”, pode resultar também no compromisso de pagar pelas dívidas feitas durante essa campanha, muita coisa ainda pode mudar.

Por enquanto, o cenário para a disputa pela Prefeitura de Cuiabá é este:

Emanuel e seus ex-aliados

Era meados de setembro quando o MDB promoveu um evento “pedindo” uma candidatura à reeleição do prefeito Emanuel Pinheiro (MDB). Na ocasião, outras 12 legendas se fizeram presentes. Uma demonstração de apoio à gestão, na avaliação do próprio emedebista.

Mas esse apoio, no caso de três partidos, em dezembro já não se sustentava. Dos que estavam na lista de Emanuel, PSC, PP e PSDB já tinham planos de uma candidatura própria no mês passado.

Presidente do diretório do PSDB em Cuiabá, o vereador Ricardo Saad foi bem sincero ao explicar a situação.

“O que aconteceu é que o [Adilson] Levante e o Renivaldo [Nascimento] se aproximaram muito da gestão e eu acabei indo junto”, ele afirmou, em referência aos colegas de bancada na Câmara de Cuiabá.

A entrevista foi concedida no dia seguinte ao partido anunciar que o empresário Luiz Carlos Nigro seria seu candidato à prefeitura da Capital. Uma escolha que ocorreu pouco tempo depois, segundo Saad, de o diretório conseguir uma promessa de dinheiro – vindo da Executiva Nacional do PSDB – para pagar os cerca de R$ 4 milhões em dívidas deixadas pela eleição municipal anterior.

Luiz Carlos Nigro é o pré-candidato de um PSDB não muito convicto de que esse é o melhor caminho (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Bem antes disso, o vice-prefeito de Cuiabá, Niuan Ribeiro (Podemos), já dava sinais de que também “desembarcaria” da gestão Emanuel Pinheiro. Uma atitude que se consolidou em agosto, com sua filiação ao Podemos.

Na oportunidade, Niuan reconheceu que chegou ao partido com um convite para disputar a prefeitura e que não se fez de rogado. No mês seguinte, já era apresentado como “o próximo prefeito de Cuiabá” em todos os atos públicos do partido.

Vice-prefeito de Cuiabá, Niuan Ribeiro há tempos não se comporta como membro da gestão da Capital (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

O racha da oposição

Naquele encontro do MDB em prol da candidatura à reeleição de Emanuel Pinheiro também estavam representantes do PP e do PSC. Duas legendas que, na Câmara de Cuiabá, desde o início da gestão, tinham vereadores fazendo oposição ao emedebista.

Abílio Júnior (PSC) e Diego Guimarães (PP), desde março, já anunciavam que poderiam se lançar como candidatos a prefeito em 2020.

Faziam parte de um grupo composto também por Felipe Wellaton (PV em migração para o Cidadania), Marcelo Bussiki (PSB em migração para o DEM) e Dilemário Alencar (PROS). E que, mais tarde, ganhou o apoio eventual de Lilo Pinheiro (PDT) e Wilson Kero Kero (PSL em migração para o Podemos).

“Faziam” porque, em dezembro, o grupo já dava os primeiros sinais de que não continuará unido para a eleição de outubro deste ano.

Em entrevista ao LIVRE, no início do mês passado, Abílio foi enfático: estava prestes a assumir o comando da legenda em Cuiabá e seu plano era se lançar candidato a toda vaga que aparecesse. Isso incluía a do Senado, aberta com a cassação de Selma Arruda (Podemos), mas principalmente a de prefeito da Capital.

Daquele grupo inicialmente formado, portanto, embora Diego e Dilemário afirmassem ainda haver chance de diálogo da parte de suas legendas, Abílio, Wellaton e Bussiki concordavam: só restavam juntos o PSC, o Cidadania e o DC (que na composição original era representado pelos deputados estaduais Ulysses Moraes e Elizeu Nascimento).

Vereador Abílio Júnior já estava convicto de sua candidatura em dezembro do ano passado (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

O efeito Blairo Maggi

Diego Guimarães, que por muito tempo se mostrou insatisfeito com o PP por conta da proximidade da sigla com a gestão Emanuel Pinheiro, também em dezembro, aparentava ter feito as pazes com a legenda.

O motivo: o desejo, segundo ele, do presidente estadual do partido, o deputado federal Neri Geller, e do ex-senador Blairo Maggi, de que o PP tivesse um candidato próprio na disputa pela Prefeitura de Cuiabá.

Entre os nomes cotados – segundo o próprio Diego e alguns de seus colegas de parlamento e de oposição – estavam o da empresária Margareth Buzetti e, claro, o do vereador.

“Mas eu me coloquei no banco de reserva. Não vou dizer que não vou, se o partido entender que é o melhor caminho, mas não é meu principal projeto agora”, Diego ponderou.

E o efeito Mauro Mendes

Marcelo Bussiki, por sua vez, já tinha avisado os colegas: estava em processo de migração para o Democratas – o que só deve ser efetivado em março – e seguiria a decisão já tomada pelo partido de ter um candidato próprio na disputa pelo comando do Palácio Alencastro.

Segundo o vereador, pelo menos quatro nomes são debatidos internamente na legenda: o do suplente de senador Fábio Garcia e os dos secretários de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, da Casa Civil, Mauro Carvalho, e da Fazenda, Rogério Gallo.

Desde 2016, Fábio Garcia, hoje suplente de Jayme Campos, era cotado para suceder Mauro Mendes na Prefeitura de Cuiabá (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Mas o grupo que apoia a gestão Mauro Mendes é grande e entre esses partidos, pelo menos, dois também sonham com candidaturas próprias: o PROS e o PDT. Legendas que dialogam ainda com partidos mais voltados à esquerda que o Democratas.

No PROS, os rumores de que o partido pode vir a ter um nome nas urnas este ano começou em março. Gisela Simona, superintendente do Procon-MT – portanto membro do governo Mauro Mendes – se preparava nessa época para assumir o diretório municipal. E já era tida como pré-candidata a prefeita.

Uma articulação, aliás, que causou um certo mal-estar com Dilemário Alencar que, por volta de dezembro, quando falou com o LIVRE a respeito do assunto, não se mostrou muito à vontade, mas disse que trabalhava para unir seu partido ao grupo dos vereadores de oposição.

Gisela Simona disputou o cargo de deputada federal em 2018 e teve votação expressiva (Foto: Jana Pessôa/Setasc)

Já no PDT, a mudança no comando da sigla ocorreu em julho, também para que assumisse um nome cotado à disputa pelo Palácio Alencastro: o do maestro da Orquestra Sinfônica da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Fabrício Carvalho.

Em entrevista ao LIVRE, na época, ele não admitiu a pré-candidatura – o que em dezembro era de conhecimento público no meio político –, mas falou da “posição” do PDT no cenário partidário mato-grossense e citou características da legenda que a possibilitariam, tanto uma aliança com o grupo de Mauro Mendes – que tem como vice Otaviano Pivetta (PDT) – quanto com partidos como o PT.

Fabrício Carvalho não descarta caminhar para a esquerda ou para a direita com seu partido (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

A esquerda

Mas o PT também já tem planos próprios e eles envolvem, justamente, um ex-pedetista. Julier Sebastião – que, em 2014, renunciou ao cargo de juiz federal para ingressar na política – saiu do PDT exatamente porque queria disputar a Prefeitura de Cuiabá e não via espaço no partido.

A filiação ao PT ocorreu em novembro do ano passado, com a perspectiva de que ele consiga a candidatura que tanto almeja. Apesar disso, ainda existe entre os petistas quem ache que o nome do deputado estadual Lúdio Cabral seria uma melhor opção.

O partido ainda é aliado do PCdoB, que nas eleições de 2018 lançou a ex-reitora da UFMT, Maria Lúcia, ao Senado. Neste ano, a hipótese mais provável é que as legendas continuem unidas e o nome da professora, evidentemente, está entre as negociações por cargos.

Já o “eterno candidato” do PSOL, procurador Mauro de Lara, este ano não deve concorrer. Pelo menos foi isso que ele anunciou em meados de setembro. Segundo a imprensa noticiou, seria somente uma pausa nas campanhas eleitorais. O procurador não descarta estar presente nas eleições de 2022.

Correndo por fora

O partido Novo já tem pré-candidato a prefeito de Cuiabá para as eleições do ano que vem: é o publicitário Álvaro de Carvalho.

Conforme as normas do Novo, Álvaro teve que passar por provas e preencher determinados critérios e agora seu nome deve ser aprovado em convenção municipal, que será realizada no período pré-eleitoral.

Segundo Álvaro, o Novo estará aberto a coligações com partidos que concordem com preceitos como a não utilização de dinheiro público, liberdade econômica,  redução do Estado, devolução do poder ao cidadão, entre outros.

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