28 de abril de 2017 - 06:37

Mapa alternativo retira 16 mil hectares de parque

Sugestão de novo traçado foi apresentada em comissão da Assembleia Legislativa

Rodrigo Vargas

, da Redação

rodrigo.vargas@olivre.com.br

Ednilson Aguiar/O Livre

Silvio Elísio

O engenheiro agrônomo Silvio Elísio: mapa alternativo apresentado aos integrantes de comissão criada na Assembleia

 

Um novo mapa do Parque Estadual da Serra de Ricardo Franco, em Vila Bela da Santíssima Trindade (540 km de Cuiabá), está em discussão na Assembleia Legislativa como alternativa à proposta de revogação da unidade. O ponto de partida do trabalho, a cargo da comissão especial aberta nesta semana, é um levantamento realizado pelo engenheiro agrônomo Sílvio Elísio Ballerini Junior, sócio de uma empresa de consultoria agroambiental que atua na região.

Com base em levantamentos de campo e imagens de satélite, Ballerini propôs um novo traçado que exclui áreas desmatadas antes e depois da criação do parque, em 1997, e que, segundo ele, vai permitir uma solução "justa, consolidada e sem prejuízo ao meio ambiente". Se implantado, o traçado resultaria em um parque com 142 mil hectares -16 mil hectares a menos que o original.

"A primeira implantação do parque foi um desastre técnico e ambiental", disse o engenheiro, que apresentou seu trabalho a convite do deputado Adriano Silva (PSB), membro titular da comissão e relator do projeto de revogação na Comissão de Meio Ambiente. De acordo com ele, o decreto original deixou fora da unidade áreas relevantes à preservação e, ao mesmo tempo, incluiu outras produtivas que "nada acrescentam à preservação". "Pelo traçado que apresento, o meio ambiente em nenhum momento será prejudicado, nem as belezas cênicas ou a hidrografia do parque", disse Ballerini.

O Livre

Ricardo Franco

 
A sugestão foi alvo de críticas no evento organizado pelas entidades que integram o Movimento SOS Ricardo Franco, realizado nesta quinta-feira na sede da Procuradoria Geral de Justiça (PGJ). O biólogo Alexandre Batistella, doutor em Biologia da Conservação e analista ambiental da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema), disse que a implementação da proposta representaria um "retrocesso". 

Segundo ele, o traçado irregular da proposta vai favorecer a ocorrência do chamado "efeito borda", que é a tendência à perda de variedade e relevância ambiental nas áreas preservadas que fazem divisa com outras já desmatadas. "A importância biológica dessas áreas se perde por influência de fatores como luminosidade, umidade e especies invasoras, por exemplo", explicou.

No evento, as entidades assinaram uma carta conjunta na qual defendem a regularização fundiária do parque, mas sem alterações no mapa original.
"Qualquer movimento para regularizar as propriedades existentes dentro do parque visa, unicamente, aliviar a situação de indivíduos que ocuparam irregularmente terras que são, desde 1997, patrimônio dos mato-grossenses e que, sabidamente, cometeram crimes ambientais ao degradar a área protegida", diz trecho da nota.

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