17 de junho de 2017 - 17:00

Empresas têm receio de assumir obras não concluídas da Copa

Segundo o engenheiro André Schuring, o medo está relacionado a possíveis falhas estruturais, que podem acarretar prejuízos maiores que o previsto

Mikhail Favalessa

, da Redação

mikhail.favalessa@olivre.com.br

Pedro Singer/O Livre

Obras Inacabadas

Esta chapa de metal foi colocada no lugar para liberar a ponte para o tráfego de veículos

 

Na sexta-feira (16), o governo de Mato Grosso publicou no Diário Oficial que a licitação para a reconstrução da cabeceira da Ponte Professor Benedito Figueiredo, entre os bairros Cophema e Praeirinho, foi declarada deserta. Ninguém apresentou proposta para os reparos estimados em R$ 626 mil. Na Trincheira Santa Rosa, a Secretaria de Estado de Cidades (Secid) teve de lançar dois editais até que alguém demonstrasse interesse no contrato de R$ 3,8 milhões --- a empresa responsável pelo projeto inicial faliu antes de concluir a obra. Ambas fazem parte do pacote de mobilidade da Copa do Mundo de 2014.

De acordo com o engenheiro André Schuring, o mercado está reticente quanto a assumir obras que faziam parte deste pacote. O medo, segundo ele, é de assumir falhas estruturais e ter de arcar com prejuízos em um cenário econômico já bastante ruim.

“Ninguém quer, a não ser que o cara seja extremamente benevolente e entre dizendo ‘olha, eu estou responsável só pelo finalzinho da obra’", contou Schuring. “Aqui em Cuiabá existe um velho ditado que diz ‘quem pariu Matheus, que embale’. Então, você acaba assumindo uma responsabilidade que não sabe nem direito o que está acontecendo”. Não há grande disponibilidade de recursos entre as empreiteiras locais, o que diminui o interesse em obras mais “arriscadas”.

Segundo Schuring, devido ao sistema utilizado para as Anotações de Responsabilidade Técnica (ART), que são fiscalizadas pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso (Crea-MT), um engenheiro que assume uma obra já parcialmente executada pode acabar tendo que se responsabilizar por falhas encontradas após a conclusão da empreita. Além disso, as empresas que assumem esses projetos podem acabar tendo de incluir intervenções que não estavam previstas inicialmente no contrato, pois no decorrer da obra vão se descobrindo falhas técnicas na execução ocorridas antes que elas assumissem.

A Ponte Professor Benedito Figueiredo já custou R$ 5,8 milhões aos cofres públicos e, depois de entregue, houve desbarrancamento em sua cabeceira, criando a necessidade de uma espécie de passarela improvisada para a liberação do tráfego de veículos de passeio. De acordo com a Comissão Permanente de Licitação da Secid, um segundo edital será lançado na próxima semana para a realização dos reparos, provavelmente em uma modalidade diferente, a de tomada de preços.

Esta foi a mesma solução encontrada para o segundo edital da Trincheira Santa Rosa. Na última quarta-feira (14), a empresa A.I Fernandes Serviços de Engenharia foi considerada habilitada para assumir a conclusão da obra que foi abandonada em junho de 2016, após a declaração de falência da Camargo Campos. Com um contrato inicial de R$ 23,5 milhões, a obra tem 89,9% executados e os R$ 3,8 milhões do novo contrato serão. direcionados para sua finalização

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