17 de junho de 2017 - 06:30

Alunos da UFMT enfrentam processo por festa dentro do campus

Evento realizado em fevereiro teve intervenção da polícia. Estudantes correm risco de serem expulsos

Karina Stein

, da Redação

karina.stein@olivre.com.br

Estudantes da Universidade Federal de Mato Grosso estão sendo processados pela realização de uma festa dentro do campus em Cuiabá. O evento, realizado no dia 24 de fevereiro deste ano, teve abordagem da Polícia Militar e supostas depredações ao patrimônio público. Na ocasião algumas pessoas que tentaram participar da festa foram impedidas de entrar pelas guaritas que dão acesso ao campus.

Denominada “Clandestina”, a festa idealizada pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) surgiu em 2013 em protesto à decisão do Conselho Diretor da instituição, que suspendeu a realização de festas dentro do campus. A medida vale até que seja feita a regulamentação junto com os órgãos da administração da Universidade.

Um dos objetivos das festas realizadas dentro do campus era arrecadar fundos para o Diretório Central dos Estudantes, centros acadêmicos e associações atléticas. O dinheiro normalmente é revertido para atividades que envolvem os alunos dos cursos e para a manutenção da própria estrutura e gestão dos grupos.

Reprodução/Alessandro Andreani

Festa Clandestina 24 02

Pessoas que queriam fazer parte da festa foram barradas das guaritas pelos seguranças


Dos 11 alunos que foram notificados através de um processo administrativo, dez fazem parte da coordenação do DCE, responsável pela realização dessa e de mais 4 encontros dentro do campus. Alessandro Andreani, que antes também fazia parte do Diretório, acabou saindo da gestão.

Em entrevista dada ao LIVRE, Alessandro - que também faz parte do Centro Acadêmico de Engenharia Florestal e é representante discente do Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão - conta que os estudantes são citados como acusados de dano patrimonial. Dentro das normas da instituição, a consequência desse tipo de ato é a expulsão do aluno e o impedimento de estudar novamente na UFMT. Segundo ele, não foram os coordenadores do DCE que danificaram o patrimônio público. “Das provas que eles apresentam, nenhuma aparece a gente fazendo o ato”, declarou.

Reprodução/Facebook

Festa Clandestina 24 02

Foto de uma das edições da Clandestina. Festa organizada pelo DCE era realizada em frente ao Restaurante Universitário


Ele e os outros estudantes membros do diretório receberam o Processo Disciplinar Discente no dia 29 de maio. No dia seguinte, em um post em seu perfil no Facebook, um dos coordenadores do DCE se manifestou sobre o assunto. Vinícius Brasilino, que é estudante de Comunicação Social, declarou que no dia da festa a administração impediu a entrada de pessoas campus, “ordenando aos seguranças patrimoniais que revistassem as mochilas das pessoas (o que não é sua função) e tantas outras atrocidades”. No dia, a Polícia Militar foi acionada. Ele também declara que houve truculência na abordagem, tanto da PM quanto dos seguranças da Universidade.

A reportagem do LIVRE entrou em contato com a coordenação do DCE para ouvir outros integrantes, mas não obteve retorno.

Outro lado
Em nota, a UFMT declarou que o Processo Disciplinar Discente é “sigiloso, medida que tem como objetivo preservar as partes”. Ela ainda diz que “como uma instituição autônoma, pública, gratuita e inclusiva, a UFMT reafirma o compromisso com a democrática, diálogo e pluralidade”.

Confira abaixo a postagem de Vinicius Brasilino:

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