17 de junho de 2017 - 07:46

A verdadeira história do chileno perdido

A saga do torcedor que foi parar em Curitiba achando que estava em Cuiabá tem um final surpreendente

Karina Stein

, da Redação

karina.stein@olivre.com.br

Santiago e Cuiabá estão separadas por 5.412 quilômetros de estradas, distribuídas entre Chile, Brasil e Argentina. Em 2014, vários chilenos enfrentaram essa viagem para mostrar o amor à la roja – a seleção de futebol do Chile – no primeiro jogo daquela Copa do Mundo, contra a seleção da Austrália.

A partida, marcada para o dia 13 de junho, foi o quarto jogo da primeira fase e a primeira partida da Copa do Mundo na Arena Pantanal. A maior parte dos torcedores pegou a estrada vários dias antes para chegar com antecedência à Cuiabá, afinal de contas, as energias tinham que ser renovadas para que os gritos de “Chi-Chi-Chi-le-le-le, viva Chile!” ecoassem pelas avenidas da cidade. 

Dias depois do jogo, uma história curiosa começou a circular pela internet brasileira: um torcedor chileno teria ido parar em Curitiba ao confundir o nome da capital paranaense com Cuiabá. Dá uma olhada na história:

Curitiba. Cuiabá. Olhando rápido nem se vê a diferença, certo?

Entre outras histórias que marcaram o mundial, incluindo a amarga e traumática envolvendo os números 7 e 1, essa do torcedor chileno certamente foi uma das mais bizarras. Pensando nisso, O LIVRE foi tentar descobrir por onde andava essa figura da Copa de 2014. O resultado foi o mais inesperado possível.

A primeira coisa a se saber sobre tudo isso é que, como qualquer história engraçada e inesperada, o caso do chileno que queria vir para Cuiabá e acabou parando em Curitiba viralizou nas redes sociais na época. Uma pesquisa rápida com as palavras-chave “chileno Cuiabá Curitiba” na barra de busca do Facebook traz de volta posts de 2014, numa mistura de lamentação com risadas. Afinal de contas, aqui é o Brasil, não é mesmo? Perdemos uma Copa, mas não perdemos a piada. 

Vários sites brasileiros repercutiram o episódio com base no vídeo que viralizou. Logo depois que a zoeira passou, ninguém mais falou sobre o chileno aqui no Brasil. Corta para junho de 2017 e para a redação do LIVRE. Como se chamava o torcedor perdido? Onde mora hoje? Uma breve pesquisa em espanhol e reações incrédulas depois, descobrimos o que aconteceu.

Reprodução/RPC TV/Rede Globo

Adriel Zapata o chileno perdido

 O chileno mais famoso do Brasil (depois do jogador Valdivia)

O hermano perdido tem nome: Adriel Zapata. Mas não, ele não se perdeu. Depois de cliques e acessos ao Google Tradutor, descobrimos que a maior lenda urbana futebolística da Copa era uma simples e bem bolada piada. Traduzindo para o idioma da internet: fomos trollados.

Nossas fontes são um site chileno e uma reportagem da TV chilena. O site é o El Mercúrio On-Line, conhecido também como EMOL, que conta com 1,73 milhões de seguidores no Twitter e está no ar desde 1999. Lá pudemos encontrar duas matérias falando sobre nosso amigo-perdido-que-não-estava-perdido-coisa-nenhuma-e-zuou-todo-mundo.

A primeira publicação, do dia 16 de junho de 2014, relata basicamente o que todos estavam falando quando o vídeo repercutiu e acrescentou que o torcedor não foi identificado. Já no dia 17 de junho, o programa 24 Horas Central, da emissora TVN – Televisión Nacional De Chile, publicou uma breve entrevista com Adriel, onde ele revela que tudo não havia passado de uma piada.

Confira o vídeo, em espanhol, a partir do minuto 22:04.

Adriel Zapata é sim chileno, mas vive há 20 anos no Brasil. É casado com uma brasileira que, de certa forma, ajudou o marido a fazer a piada. Na entrevista, ele fala que, por viver tanto tempo no país, seria impossível confundir Curitiba com Cuiabá. No aeroporto, Adriel já se portava como celebridade, tirando selfies com brasileiros, que relataram o quanto o vídeo havia viralizado nas redes sociais e no WhatsApp.

No dia 18 de junho, o site EMOL repercutiu a reportagem do programa da TVN, basicamente fazendo um resumo da matéria que foi para a televisão.

Até hoje, aparentemente nenhum veículo da imprensa brasileira havia descoberto - ou divulgado - a verdadeira história do chileno perdido. Portanto, com um atraso de três anos, uma das histórias da Copa que nos fazia rir até hoje agora nos deixa com o queixo caído. 

 

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