17 de abril de 2017 - 12:56

Não vou demitir só porque alguém falou, diz Temer sobre ministros delatados pela Odebrecht

Presidente disse que só vai afastar ministros quando houver denúncia do MP. Já o afastamento definitivo só acontecerá no caso de os citados se tornarem réus

da Redação

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Em entrevista nesta segunda-feira, o presidente Michel Temer afirmou que só vai afastar temporariamente os ministros citados em delações da Odebrecht e investigados em inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) quando houver denúncia formal do Ministério Público. Já o afastamento definitivo só acontecerá no caso de os citados se tornarem réus.

"Não vou demitir simplesmente porque alguém falou, é preciso provas robustas. Se vier a denúncia, não significa culpabilidade completa, mas terá fortíssimas indicações de que essa delação é correta", disse à Rádio Jovem Pan.

Para o presidente, alguns ministros podem se sentir desconfortáveis e deixar voluntariamente os cargos. Estão na lista de investigados:

- Eliseu Padilha (PMDB), da Casa Civil
- Moreira Franco (PMDB), da Secretaria-Geral da Presidência da República
- Gilberto Kassab (PSD), da Ciência e Tecnologia
- Helder Barbalho (PMDB), da Integração Nacional
- Aloysio Nunes (PSDB), das Relações Exteriores
- Blairo Maggi (PP), da Agricultura
- Bruno Araújo (PSDB), das Cidades
- Marcos Pereira (PRB), da Indústria, Comércio Exterior e Serviços

'Acordão'
Temer disse que as delações são estarrecedoras e preocupantes, principalmente porque transmitem uma imagem ruim do Brasil para o exterior. "Sob esse ponto de vista é péssimo." Mas ele disse que o País precisa seguir em frente. "O Brasil não pode parar. Temos reformas pela frente. Então (as delações) são estarrecedoras, mas não podem ser fator de paralisia. Agora precisamos deixar o Judiciário trabalhar", reforçou o presidente.

Sobre um possível "acordão" para paralisar com a Operação Lava Jato entre ele e os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso, Temer voltou a negar qualquer pacto desse tipo. "Não tem conversa na direção de um possível acordão. FHC já negou. Fazer acordão para um problema que está no Judiciário é inviável. Não participo e nem promovo", disse.

O presidente ainda rebateu a ideia de uma nova constituinte devido ao escândalo de corrupção, já que, segundo ele, as instituições estão funcionando normalmente. Temer, no entanto, defendeu uma reforma política. "O que vale é uma reforma política, que sairá invariavelmente e é fundamental para o País", disse. 

(Com Agência Estado)

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