17 de abril de 2017 - 12:24

Meirelles: sem reforma, despesa do INSS atingirá 17,2% do PIB em 2060

Segundo o governo, despesas equivaliam a 2,3% do Produto Interno Bruto em 1991. No ano passado, percentual chegou a 8,1%

da Redação

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Agência Estado

Henrique Meirelles

 

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que, sem a reforma da Previdência, as despesas do INSS subirão para 17,2% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2060. Ele fez uma apresentação sobre o tema durante o seminário "os caminhos para a reforma da Previdência", promovido pelo jornal Valor Econômico nesta segunda-feira, 17, em Brasília.

Meirelles demonstrou este crescimento apontando que o Brasil tem uma população relativamente jovem, mas já tem nível de despesas de países mais velhos. Segundo dados do Ministério da Fazenda, as despesas totais do INSS eram de 2,3% do PIB em 1991. Já em 2016, subiram para 8,1% do PIB. "Isto, portanto, obviamente é insustentável", considerou.

O ministro também avaliou que, "se nada for feito, a Previdência não cabe no teto dos gastos". "O teto dos gastos é uma necessidade. É o que garante que as despesas públicas não vão crescer de forma insustentável." De acordo com a apresentação de Meirelles, em 2026, caso não seja feita a reforma, a previdência representará 71,6% do teto. "Se aprovada a reforma nos termos que está se discutindo, teremos condições de equilibrar o orçamento", defendeu o ministro.

Taxas de juros
Meirelles advertiu que as taxas de juros vão voltar a subir fortemente no Brasil se a Reforma da Previdência não for aprovada pelo Congresso Nacional. "A grande conclusão é que a reforma não é uma questão de preferência, de opinião. É uma necessidade matemática e fiscal", afirmou o ministro.

Ele previu que, se o país não fizer a reforma no devido tempo, as taxas de juros - ao invés de cair como agora - vão subir fortemente. "Vai faltar recurso para o financiamento, o consumo, investimento, e o desemprego volta a crescer", disse.

O ministro fez questão de ressaltar estão sendo adotadas uma série de medidas que farão com que o país volte a crescer. Na avaliação dele, a economia dá sinais fortes de que está em trajetória de recuperação do crescimento. "A inflação está caindo muito forte e os juros estão caindo. Tudo isso é resultado do teto de gastos ter sido aprovado", ressaltou. Para Meirelles, o Brasil está discutindo na "hora certa" a proposta de reforma. "O importante é que o Brasil volte a crescer e aumente a renda dos trabalhadores", disse.

Dados otimistas
O ministro da Fazenda disse que "já há dados bastante otimistas em relação ao primeiro trimestre" da economia brasileira e atribuiu a melhora do ambiente econômico à realização das reformas. Mais cedo, ele já havia dito que "felizmente" o Brasil está saindo da recessão. Meirelles ressaltou que a atividade chegará ao fim do ano já com "crescimento importante" e voltou a lançar a estimativa de alta de 2,7% no PIB no 4º trimestre deste ano em relação a igual período de 2016, acelerando em relação ao ritmo do início do ano. "É isso que interessa, o que já está acontecendo no País em função das reformas", disse. 

(Com Agência Estado)

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