08 de maio de 2017 - 07:56

França investiga compra de votos para escolha do Rio como sede das Olimpíadas

Três dias antes da votação, empresário que tinha contratos com governo fluminense pagou R$ 6,3 milhões a delegado do COI

Da Redação

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Fábio Motta/Estadão Conteúdo

Sergio Cabral Rio 2016

O ex-governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral Filho, acompanhado de autoridades durante apresentação do projeto de candidatura da cidade à sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Foto tirada em 08 de janeiro de 2008


Procuradores do Ministério Público Financeiro da França estão em Brasília para investigar, em parceria com colegas brasileiros, suposto esquema de compra de votos de membros do Comitê Olímpico Internacional (COI) para a realização dos Jogos Olímpicos no Rio em 2016. A suspeita é de que delegados da organização tenham recebido propina em troca do voto favorável na disputa com Madri, Tóquio e Chicago pelo direito de organizar a competição no Brasil.

A suspeita de que houve pagamento ilegal para a compra de votos de delegados do COI para a organização da Rio-2016 e de Tóquio-2020 vem sendo investigada pelo Ministério Público Financeiro de Paris, que já encontrou indícios concordantes de corrupção em ambos os casos.

Segundo as investigações, três dias antes da sessão do COI que definiria a cidade-sede dos Jogos Olímpicos de 2016, realizada em outubro de 2009, em Copenhague, na Dinamarca, duas transferências que totalizaram US$ 2 milhões (R$ 6,3 milhões pela cotação atual) foram realizadas pela Matlock Capital Group, empresa com sede em Miami e de propriedade do empresário brasileiro Arthur Cesar de Menezes Soares Filho, em favor de membros da família do então presidente da Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF) e membro do COI, Lamine Diack. Naquela época, outra empresa de Arthur Soares, o Grupo Facility, tinha contratos de prestação de serviços de R$ 3 bilhões com o governo do Rio, sob gestão de Sergio Cabral.

Os depósitos foram realizados pela Matlock em dois momentos: um primeiro de US$ 1,5 milhão (R$ 4,7 milhões) em 29 de setembro de 2009, em favor da empresa Pamodzi Consulting, de propriedade de Papa Massata Diack, filho de Lamine Diack. Uma segunda transferência, de US$ 500 mil (R$ 1,5 milhão), também proveniente da mesma empresa, beneficiou uma conta de Papa Diack na Rússia. Segundo o MP Financeiro da França, o voto de Lamine Diack em favor do Rio seria crucial para obter a adesão de dirigentes africanos, que votam em bloco nas sessões do COI.

Pacto de corrupção
A investigação do MP apura os vínculos entre Arthur Soares e Sérgio Cabral e a existência de um pacto de corrupção em torno dos Jogos de 2016, que envolveria as obras públicas com as quais o governo brasileiro se comprometeu junto ao COI. Um dos focos de suspeita dos investigadores é se houve vínculos entre empreiteiras que se beneficiaram dos projetos de infraestrutura para a Rio-2016 e a suposta compra de votos para escolha do Rio como sede dos Jogos Olímpicos.

Uma vez vencida a disputa em Copenhague, empreiteiras brasileiras ficaram com grande parte dos contratos dos Jogos, alguns deles sem licitações e sem concorrência. Dos R$ 38 bilhões previstos no orçamento original dos Jogos do Rio, a empresa, que está no epicentro da Operação Lava Jato, ficou com contratos avaliados em R$ 26 bilhões. A empreiteira também ficou com as obras do Porto Maravilha e da Linha 4 do Metrô, além da Vila dos Atletas e do Parque Olímpico.

Em nota, a Odebrecht não entrou em detalhes. "A Odebrecht não se manifesta sobre eventuais investigações e reafirma que vem cooperando com autoridades brasileiras e estrangeiras. A empresa está comprometida a combater e não tolerar a corrupção em quaisquer de suas formas." 

(Com Agência Estado)

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