12 de setembro de 2017 - 19:19

Wellington Fagundes recebeu propina em obras de estradas, diz Silval

Deputado federal à época, ele foi o responsável por articular os recursos junto ao governo federal

Mikhail Favalessa

, da Redação

mikhail.favalessa@olivre.com.br

Ednilson Aguiar/O Livre

Senador Wellington Fagundes

De acordo com o ex-governador Silval da Cunha Barbosa (PMDB), o ex-deputado federal e atual senador Wellington Fagundes (PR) teria recebido propinas de empresas em duas obras de rodovias em Mato Grosso, entre 2010 e 2011. O retorno teria sido combinado com os empresários Wanderley Fachetti Torres, da Trimec Construções e Terraplanagem, e Arlindo Cavalca, da Cavalca Construções e Mineração Ltda.

A primeira era responsável por uma obra da ligação entre a BR-364 e o distrito de São Lourenço, em Rondonópolis (215 km de Cuiabá), e a segunda pela duplicação da MT-251, conhecida como rodovia Emanuel Pinheiro, entre Cuiabá e Chapada dos Guimarães.

Silval conta sobre as negociações em seu acordo de colaboração premiada fechado junto à Procuradoria-Geral da República (PGR). Ele narrou uma extensa trama de crimes realizados durante sua gestão e o governo de Blairo Maggi (PP), entre 2006 e 2014.

Wellington Fagundes foi o responsável por, politicamente, articular os recursos junto ao Ministério do Turismo – as obras estavam sob responsabilidade da Secretaria de Estado de Infraestrutura (Sinfra). Depois de articular o convênio entre a secretaria e o governo federal, o então deputado teria procurado Silval para acertar o retorno.

Wellington teria pedido ao ex-governador que organizasse os pagamentos com os empresários. Silval afirma que Wanderley fez os pagamentos a Fagundes, mas não sabe dizer se os valores foram repassados em sua totalidade, nem se funcionários do ministério receberam parte da propina. O empresário ainda teria reclamado, pois o “retorno” não estaria previsto no orçamento inicial das obras. O ex-governador não fala em valores.

O senador Wellington Fagundes afirma que defende ampla apuracão dos fatos, mas, "em respeito ao trabalho de investigação, não comenta iniciativas ou procedimentos no Ministério Público e do Poder Judiciário".