14 de novembro de 2017 - 11:45

Valtenir é investigado por gastos com "posto da propina"

Proprietário da rede Amazônia Petróleo confessou que postos serviam para lavar dinheiro de esquemas revelados na Operação Ararath

Gabriele Schimanoski

, da Redação

gabriele.schimanoski@olivre.com.br

Ednilson Aguiar/Olivre

Deputado federal Valtenir Pereira

Deputado Valtenir Pereira (PSB): investigado pelo Supremo por suposta lavagem de dinheiro

O deputado federal Valtenir Pereira (PSB-MT) está sendo investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por gastos em um posto de combustível, o qual pode ter sido utilizado para lavagem de dinheiro vindo de esquemas de propinas que são alvos da Operação Ararath.

Conforme o blog do Fausto Macedo, do Jornal o Estado de S. Paulo, o caso está sob relatoria do ministro Luís Roberto Barroso. O delator Gércio Marcelino Mendonça Júnior foi quem teria ajudado os investigadores. Ele confessou que os postos  - da Rede Amazônia Petróleo - eram usados para promover a lavagem de dinheiro beneficiando políticos mato-grossenses.

Ainda segundo blog, nos postos de gasolina do delator, o deputado federal Valternir Pereira (PSB) gastou, por diversas vezes, valores exatos de R$ 2 mil.

Quando questionado pela Procuradoria-Geral da República, o parlamentar afirmou que a repetição dos valores nas notas se dá em razão do fato de que a aquisição de combustíveis é feita por meio de tickets de mesmo valor R$ 10,00 (dez reais); e a escolha pelo posto de combustíveis se deu em razão de sua localização, próxima ao seu gabinete.

No entanto, segundo o blog, ao pedir as investigações ao Supremo, a PGR explicou que entre os anos de 2014 a 2016 o parlamentar gastou mais de R$ 97 mil em combustível em outro posto da rede localizado a mais de 4 quilômetros do gabinete de Valtenir, o que  em filial localizada a 4 quilômetros do escritório do parlamentar, "infirmando, assim, a justificativa apresentada por ele".

Para o Ministério Público a conduta de Valtenir pode "revelar desvio de recursos públicos referentes à cota para exercício de atividade parlamentar".

Para o ministro relator Luís Barroso, um primeiro exame dos autos apresenta elementos que indicam a prática de crime de peculato, em especial, o fato de que a maior parte dos valores com combustível ter sido gasto em filial do posto da rede Amazônia de Petróleo mais distante de seu escritório.

“Não se está diante de notícia sem qualquer apoio indiciário ou de notícia fundada somente em denúncia anônima ... diante disso, há o interesse da sociedade em ver esclarecidos os fatos”, diz trecho do inquérito.

Delação Monstruosa
Em trecho da delação do ex-governador Silval Barbosa, ele revelou outros esquemas de corrupção investigados pela Ararath, em que cita a suposta participação de Valtenir. Em 2011, por exemplo, devido ao grande volume de chuvas no Estado foi decretada situação de emergência em Colniza (1114 km de Cuiabá). À época a enxurrada levou as pontes que davam acesso ao município, que ficou ilhado.

Conforme Silval, o então ministro da Integração Nacional Fernando Bezerra Coelho, prometeu recursos na ordem de R$ 300 milhões. Com a verba foram licitadas pelo governo estadual “duas ou três pontes, sendo uma no Rio Aripuanã, outra perto do Distrito de Guariba e a terceira no Município de Cotriguaçu”, alegou Silval.

De acordo com Silval, em um dos contratos, no valor de R$ 16 milhões, Valtenir teria pedido 15% em propina e o empresário responsável pela obra teria reclamado com Silval sobre a pressão de Valtenir pelos valores. Trata-se da obra da ponte sobre o Rio Jurena. O ex-governador, no entanto, disse que não sabia se o deputado chegou a receber.

Outro lado
A redação do LIVRE tentou, por diversas vezes, contato com o deputado Valternir Pereira, mas até o momento não houve retorno.

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