11 de outubro de 2017 - 18:17

Tornozeleira de Lesco registrou ida até a farmácia no CPA

Desembargador Orlando Perri determinou a transferência do militar para cela com grades depois dele ser visto fora do Batalhão

Mikhail Favalessa

, da Redação

mikhail.favalessa@olivre.com.br

Ednilson Aguiar/O Livre

coronel lesco

A tornozeleira eletrônica utilizada pelo coronel Evandro Alexandre Ferraz Lesco, ex-secretário-chefe da Casa Militar, registrou sua saída do 3º Batalhão da Polícia Militar em Cuiabá. O militar se deslocou da unidade para ir até uma farmácia na região do Centro Político Administrativo (CPA), no último dia 04.

No local, de acordo com uma testemunha, o coronel da PM utilizou um caixa eletrônico, sacou dinheiro e comprou produtos de higiene. Na ocasião, a Corregedoria da Polícia Militar abriu um inquérito sobre o caso, que resultou no afastamento do tenente coronel Wendel Soares, comandante do 3° Batalhão da PM - unidade em que Lesco permaneceu preso até hoje. 

Nesta quarta-feira (11), por determinação do desembargador Orlando Perri, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, ele foi transferido para o Batalhão da Rotam (Rondas Ostensivas Tático Móvel).

O magistrado estabeleceu que Lesco deverá ficar recolhido em alojamento com grade, devendo sair apenas nos horários das refeições, banho de sol e visitas, retornando em seguida. Perri afirmou ainda que “a grade [deve] permanecer fechada, inclusive durante o dia”.

Gabriele Schimanoski / O Livre

Corregedoria da PM investiga

O registro do monitoramento eletrônico está em posse dos delegados Ana Cristina Feldner e Flávio Henrique Stringueta, que coordenam as investigações dos grampos na Polícia Judiciária Civil (PJC).

Evandro Lesco é acusado de ser um dos financiadores do escritório montado para interceptar ilegalmente telefones de diversas autoridades e profissionais de interesse da cúpula do governo do Estado.

Duas prisões
O coronel foi preso pela primeira vez em junho pela suposta participação nos grampos. Em 27 de setembro, Lesco foi novamente detido durante a Operação Esdras, desta vez por suspeita de tentar obstruir as investigações do caso.

Por meio de sua esposa, a personal Helen Christy Lesco, o coronel teria participado de um plano para gravar clandestinamente o desembargador Orlando Perri com o objetivo de afastá-lo da relatoria do caso no Tribunal de Justiça. O tenente-coronel José Henrique Soares teria sido cooptado e coagido a participar alterando sua farda com a instalação de uma câmera.