14 de junho de 2017 - 06:24

Silval e Silvio apontam participação de Faiad em esquema

Ex-governador e ex-chefe de gabinete confirmaram à Justiça que o advogado e ex-secretário desviou recursos para pagar dívidas de campanha

Mikhail Favalessa

, da Redação

mikhail.favalessa@olivre.com.br

Rodrigo Vargas/O Livre

Faiad

Advogado e ex-secretário da SAD na saída do Centro de Custódia de Cuiabá em fevereiro


Em suas confissões à Justiça, o ex-governador Silval Barbosa e o ex-chefe de gabinete Silvio César Corrêa de Araújo apontaram a participação do advogado Francisco Faiad nos esquemas relacionados à quinta fase da Operação Sodoma. Faiad chegou a ser preso preventivamente em 14 de fevereiro acusado de desvios quando esteve à frente da Secretaria de Administração do Estado (SAD), atual Secretaria de Estado de Gestão (Seges). Ele foi solto uma semana depois por meio de um habeas corpus.

A quinta fase da Sodoma investiga desvios na SAD e na Secretaria de Transporte e Pavimentação Urbana (Setpu), atual Secretaria de Infraestrutura (Sinfra). O grupo liderado pelo ex-governador teria fraudado licitações e também o controle de abastecimento das patrulhas do governo do Estado, causando prejuízos de R$ 8,1 milhões aos cofres públicos.

Faiad era advogado de Silval desde a época em que ele ocupava a cadeira de deputado estadual, entre 1998 e 2006, e foi nomeado para comandar a SAD em 2013. Na campanha de 2012 à prefeitura de Cuiabá, Faiad havia sido candidato a vice-prefeito ao lado de Lúdio Cabral. Segundo Silval, a chapa recebeu auxílio financeiro e doação de combustível de R$ 600 mil que haviam sido desviados do governo do Estado. Também de acordo com o ex-governador, os dois candidatos sabiam da origem ilícita dos valores.

Silvio Corrêa também confirmou a participação do advogado. O ex-chefe de gabinete de Silval relatou à Justiça o pagamento de propina ao advogado enquanto ele esteve à frente da SAD, em 2013. Os valores teriam vindo da empresa Marmeleiro Auto Posto, investigada na quinta fase da Sodoma e que era responsável pelo fornecimento de combustível ao governo do Estado. Silvio ainda confirmou que Faiad teria utilizado fraudes na Sinfra para pagar restos de dívidas da campanha de 2012 ao lado de Lúdio.

Procurado pelo LIVRE, o advogado Francisco Faiad disse apenas que não conhece os depoimentos de Silval e Sílvio. Lúdio Cabral afirmou, por meio de nota, que todas as despesas com combustível em sua campanha de 2012 já foram declaradas à Justiça Eleitoral e que as dívidas remascentes foram pagas pelo Partido dos Trabalhadores (PT) (veja a nota no final da matéria).

Prisão domiciliar
O ex-governador e seu ex-chefe de gabinete tiveram suas prisões preventivas transformadas em prisão domiciliar nesta terça-feira (13). Devido à postura dos dois de confessar parte dos crimes e devolver valores desviados dos cofres públicos, a juíza Selma Arruda, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, concedeu a medida até que o processo seja julgado. Silval também alegou ter sofrido pressões e ameaças desde que rumores de uma delação premiada feita por ele começaram a circular na imprensa.

O ex-governador estava preso desde setembro de 2015 e Silvio, desde março de 2016. Eles deverão ficar reclusos em casa e não poderão ter contato com nenhum dos demais réus nas ações movidas pelo Ministério Público Estadual (MPE) – a juíza abriu uma exceção a Rodrigo Barbosa, filho do ex-governador, por “questões humanitárias”. O ex-governador colocou bens e imóveis num total de cerca de R$ 46 milhões à disposição da Justiça, enquanto Silvio entregou um imóvel avaliado, segundo sua defesa, em R$ 472 mil.

Nota de esclarecimento - Lúdio Cabral
Em relação às notícias veiculadas nessa quarta-feira (14), cumpre-me o dever de informar que já prestei todos os esclarecimentos necessários sobre o tema em depoimento à Delegacia Fazendária no dia 14 de fevereiro deste ano.
Todas as despesas com combustível realizadas na campanha à Prefeitura de Cuiabá, em 2012, foram declaradas à Justiça Eleitoral. As dívidas remanescentes foram assumidas pelo Partido dos Trabalhadores com a anuência dos credores, tendo sido posteriormente negociadas e quitadas pelo próprio partido, nos termos da lei.

Leia mais