16 de junho de 2017 - 07:15

Secretário defende que deputados do PSB lutem pelo partido

Bancada avalia debandar diante da nomeação de Valtenir como presidente

Laíse Lucatelli

, da Redação

laise.lucatelli@olivre.com.br

Ednilson Aguiar/O Livre

Suelme Fernandes

Suelme diz que nomeação de Valtenir como presidente do PSB é autoritarismo

O presidente do PSB de Cuiabá, Suelme Evangelista, defende que a bancada de deputados permaneça no partido para tentar recuperar o controle da sigla. Diversos parlamentares avaliam deixar o PSB em debandada, diante da filiação do deputado federal Valtenir Pereira (ex-PMDB) e de sua nomeação para presidir a sigla em Mato Grosso, depois de quatro anos fora do partido.

“Minha opinião é que devemos lutar pelo partido”, disse Suelme. “Temos que ficar e deixar o Valtenir constrangido com o que ele fez. Já puxei o coro de ‘Fora Valtenir’. Não saio sem lutar.” O dirigente vai defender essa ideia na reunião que a cúpula da sigla fará durante o feriadão para definir a estratégia de ação diante do retorno de Valtenir. “Nós nos dedicamos a esse partido, reconstruímos a sigla e não podemos sair e deixar tudo de mão beijada”, argumenta.

Valtenir se filiou na quinta-feira, 14, e substituiu na presidência o também deputado federal Fábio Garcia, destituído em maio por desobedecer a orientação do partido de votar a favor da reforma trabalhista. A bancada de deputados estaduais e federais do PSB tentava emplacar Mauro Mendes, ex-prefeito de Cuiabá e ex-presidente do partido, como sucessor de Garcia na direção da sigla.

A permanência de Mendes no mesmo partido que Valtenir é vista por alguns aliados como insustentável em função das divergências entre os dois no passado. O deputado se desfiliou do PSB em 2013, diante das brigas com o grupo de Mendes, que o tachava de centralizador e esvaziou o partido, levando para o PROS 11 dos 12 prefeitos. O partido só começou a se recuperar do baque nas eleições de 2014, quando elegeu três deputados estaduais e dois federais. Em 2016, a sigla elegeu 15 prefeitos.

Hoje, a bancada do PSB é formada por dois deputados federais, Fábio Garcia e Adilton Sachetti, e quatro estaduais: Oscar Bezerra, Mauro Savi, Eduardo Botelho e Max Russi – este último licenciado para comandar a Secretaria de Estado de Trabalho e Assistência Social (Setas). A cadeira de Russi na Assembleia é ocupada por outro membro do PSB, o suplente Adriano Silva.

Projeto nacional

Suelme afirma que a mudança de comando é uma articulação para que a executiva do partido em Mato Grosso apoie a reeleição de Carlos Siqueira à presidência nacional. “Foi uma medida autoritária do Carlinhos Siqueira", disse. "Valtenir se prestou a um serviço indigno e nós temos que tornar a vida dele bem desagradável, para que ele saia do PSB”.

Para o presidente municipal não tem validade a justificativa de que o deputado federal Fábio Garcia foi destituído da presidência regional apenas por votar contra a reforma da previdência, contrariando a orientação partidária. Valtenir, ainda no PMDB, também votou a favor da reforma.

Suelme, que também é secretário de Agricultura Familiar do governo Pedro Taques (PSDB), vê na mudança de presidente uma tentativa de levar o PSB para a oposição. “Com certeza isso vai impactar no posicionamento político em relação ao governo Taques.” O partido é aliado de Taques desde as eleições de 2010, quando ele se elegeu senador.

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