05 de outubro de 2017 - 09:32

Polícia Civil vai compartilhar provas do caso dos grampos com a PGR

Primeiro compartilhamento será dos dados extraídos mediante perícia da câmera oculta acoplada à farda do tenente-coronel Soares, para filmar desembargador

Laura Nabuco

, da Redação

laura.nabuco@olivre.com.br

Reprodução/TV Record

Farda PM

A Polícia Judiciária Civil vai compartilhar com a Procuradoria Geral da República (PGR) eventuais provas obtidas durante a operação Esdras, que investiga o suposto esquema de grampos ilegais em Mato Grosso.

De acordo com o delegado da Polícia Civil Flávio Stringueta, este é o motivo do pedido para que o trabalho de perícia de alguns dos equipamentos apreendidos em mandados de busca e apreensão no último dia 27 seja feito pela Polícia Federal.

O primeiro equipamento a ser periciado pela PF será a câmera oculta que havia sido acoplada à farda do tenente coronel José Henrique Soares. Segundo Stringueta, devem ser extraídas eventuais impressões digitais e gravações feitas com o equipamento – mesmo as que já tenham sido apagadas.

O compartilhamento de provas, ainda conforme o delegado, ocorrerá porque o caso também é investigado pela PGR. Desde a última quinta-feira (28) tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ) um inquérito sobre o assunto.

O alvo da apuração é o governador Pedro Taques (PSDB), que detém a prerrogativa de foro privilegiado e, por isso, não pode ser investigado nos inquéritos que já tramitam no Tribunal de Justiça de Mato Grosso, sob a relatoria do desembargador Orlando Perri.

A câmara a ser periciada pela PF, inclusive, seria usada pelo grupo que realizava os grampos para filmar Perri. A ideia, conforme consta em depoimento do tenente-coronel Soares, seria capturar imagens que servissem para forjar uma denúncia contra o desembargador e, assim, afastá-lo das investigações.

Outros equipamentos apreendidos durante a deflagração da operação Esdras – como computadores e aparelhos de telefone celular –, segundo Stringueta, também poderão ser encaminhados à Polícia Federal para perícia.

O delegado negou, entretanto, que o motivo seja a suspeita de que, se feita pela Politec, a análise dos equipamentos poderia ser sabotada. A desconfiança teria ocorrido pelo fato de policiais e membros da alta cúpula da Segurança Pública do Estado estarem sendo investigados.

“Existe um convênio, tanto com a Politec, quanto com a Polícia Federal, para esse trabalho. Foi uma questão de escolha. Nem tudo será mandado para a Polícia Federal, apenas aquilo que nós julgarmos que podem render provas para as investigações em trâmite na PGR”, explicou.

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