15 de junho de 2017 - 07:28

Para deputado, crimes de Silval não foram por maldade

Aliado do ex-governador, Romoaldo acredita que poder cegou Silval

Laíse Lucatelli

, da Redação

laise.lucatelli@olivre.com.br

 

Ednilson Aguiar/O Livre

deputado Romoaldo Junior

Deputado Romoaldo Junior foi líder do governo Silval

Para o deputado estadual Romoaldo Junior (PMDB), o poder cegou o ex-governador Silval Barbosa (PMDB) e o levou a cometer crimes de corrupção para quitar dívidas de campanha. Solto na terça-feira, 13, depois de um ano e nove meses na cadeia, Silval confessou desvios de dinheiro público e prometeu devolver R$ 46 milhões.

“Não é maldade”, afirma. “O poder muitas vezes cega a pessoa. Quando ela chega ao poder, acha que pode tudo, e não é assim.”

Ex-presidente da Assembleia Legislativa e ex-líder do governo Silval Barbosa, Romoaldo é também amigo do ex-governador. “Conheço Silval há 25 anos e sei o ser humano que ele é”, disse. “Acho que esse tempo de cadeia deve ter sido muito difícil para ele. Espero que ele nunca mais volte.”

Ele ficou feliz com a soltura do amigo. “É bom saber que um amigo volta para casa depois de dois anos”, observou. ‘Encontrou a esposa, os filhos, o netinho que nasceu enquanto ele estava preso. Espero que possa resgatar os erros e crimes que cometeu.”

Segundo Romoaldo, Silval herdou contas de campanha de outros candidatos e outros governos, e pagou as dívidas. “Agora que ele foi solto vêm as consequências, as delações que ele se comprometeu com a Justiça a fazer, apontar outras pessoas que deixaram essas contas.”

O deputado prevê que o modelo de financiamento de campanha que abusa do caixa dois e depois busca ressarcimento em contratos públicos irregulares terá que mudar, diante das operações contra corrupção que varrem o país. “O Brasil está desmoronando, porque estão desnudando o que era a política, esse modelo falido de política.”

Romoaldo não vê futuro para Silval na política nem como candidato nem nos bastidores. “Ele tem sua parcela de votos, mesmo com o desgaste grande, mas não acredito que uma pessoa que passa por tudo que ele passou tenha condições de voltar à política”, analisou. “Acho que ele não vai querer subir num palanque para pedir votos. Será uma nova fase na vida dele”.

 

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