12 de setembro de 2017 - 06:45

Nova procuradora-geral foi parceira de Taques em caso de deputado da motosserra

Raquel Dodge toma posse no próximo dia 18 com missão de conduzir a Lava Jato e outras investigações

Mikhail Favalessa

, da Redação

mikhail.favalessa@olivre.com.br

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Raquel Dodge Procuradora-Geral da República

A nova procuradora-geral da República (PGR), Raquel Dodge, trabalhou em conjunto com o governador Pedro Taques (PSDB) quando, no passado, ele atuava no órgão. Juntos, eles trabalharam na acusação contra o ex-deputado federal Hildebrando Pascoal, condenado por liderar um grupo de extermínio e um esquema de tráfico de drogas e roubo de cargas no Estado do Acre.

Hildebrando ficou conhecido como o "deputado da motosserra", pelo modus operandi adotado contra suas vítimas. Ele, que era coronel da Polícia Militar e foi o responsável pela morte e esquartejamento de Agilson Santos Firmino e também pelo assassinato de seu filho, Wilder Firmino.

Taques atuou na PGR de 1995 até 2010, quando pediu exoneração para se dedicar à política.

Raquel foi a segunda procuradora mais votada em consulta interna feita pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), atrás de Nicolao Dino. Ela foi indicada pelo presidente Michel Temer (PMDB) em junho deste ano e toma posse no próximo dia 18, em Brasília.

Membro do Ministério Público Federal (MPF) há 30 anos, ela tem atuação marcada pelo combate a situações de trabalho análogo à escravidão e também na Operação Caixa de Pandora, que investigou um esquema de corrupção do qual participava o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda.

A nova PGR tem como missão dar continuidade à Operação Lava Jato e outras conduzidas pelo órgão. Entre os processos em trâmite, estão três em que Taques é citado. Na delação premiada assinada pelo ex-governador Silval da Cunha Barbosa (PMDB), ele relata uma suposta tentativa de acordo para que Silval não fosse investigado pelo executivo estadual e também com suposta doação oculta de R$ 4 milhões via JBS. Taques afirma que o governo auditou os contratos deixados pela gestão anterior e nega que tenha recebido qualquer doação de Silval.

Em outro caso, o empresário Alan Malouf, réu na Operação Rêmora do Ministério Público Estadual (MPE), afirma que o dinheiro de propina recebido por ele serviria para pagar uma dívida de R$ 2 milhões da campanha de Taques em 2014. O governador diz que não houve caixa dois em sua campanha e que sua prestação de contas foi aprovada sem ressalvas pela Justiça Eleitoral. Os depoimentos e provas colhidos foram remetidos para a PGR em agosto.

Também se encontra na PGR uma investigação sobre o caso dos grampos telefônicos realizados por policiais militares da cúpula do governo estadual. Em sua denúncia, o procurador Mauro Zaque afirma que notificou Taques sobre o caso, o que é negado pelo governador. A Controladoria Geral do Estado (CGE) identificou que a denúncia ficou por quatro horas no gabinete do governador antes de ter o protocolo fraudado.