11 de outubro de 2017 - 10:50

MP denuncia coronel Siqueira por prevaricação enquanto secretário

Então no comando da Casa Militar, Airton Siqueira teria tido conhecimento de escutas em Lucas do Rio Verde

Mikhail Favalessa

, da Redação

mikhail.favalessa@olivre.com.br

Ednilson Aguiar/O Livre

coronel Airton Benedito Siqueira

O Ministério Público Estadual (MPE) denunciou o coronel Airton Benedito Siqueira, ex-secretário-chefe da Casa Militar, por prevaricação no caso dos grampos. De acordo com o MPE, Siqueira teria tido conhecimento das escutas ilegais praticadas durante a eleição municipal de 2016 em Lucas do Rio Verde, mas não teria agido para coibir os crimes.

A denúncia é assinada pelo procurador-geral de Justiça em substituição, Helio Fredolino Faust, e pelo coordenador do Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco-criminal), promotor Antonio Sergio Cordeiro Piedade.

“Assim, mesmo tendo conhecimento do comportamento do major PM Barros, o denunciado Airton Benedito de Siqueira Junior, na qualidade de secretário-chefe da Casa Militar, não comunicou os fatos à Administração Militar para que fossem adotadas as providências pertinentes em relação ao major PM Barros”, diz trecho do documento.

De acordo com o MPE, o coronel Siqueira teria deixado de denunciar o major Dulcézio Barros de Oliveira por manter uma amizade da época em que os dois trabalharam juntos no Grupo Especial de Fronteira (Gefron).

O advogado e ex-secretário da Casa Civil Paulo Taques teria contado a Siqueira sobre o escritório montado para realizar grampos para a campanha do então candidato a prefeito Otaviano Pivetta. Paulo Taques teria informado que o responsável pelos grampos na cidade seria o major Barros.

“Do mesmo modo, não orientou o advogado Paulo Taques a promover o registro dos fatos as autoridades policiais de Lucas do Rio Verde”, escreveu o Ministério Público.

Paulo Taques é apontado pelo desembargador Orlando Perri, relator do caso no Tribunal de Justiça, como uma das principais lideranças dos grampos contra políticos, jornalistas, médicos, membros do MPE, do judiciário, entre outros profissionais de interesse da cúpula do governo do Estado.

Foram arrolados como testemunhas o major Dulcézio Barros de Oliveira, o advogado e ex-secretário Paulo Taques, o cabo Fernando Raphael Pereira de Oliveira, Enio Carlos de Souza Vieira Neto e o coronel Marcos Vieira da Cunha.