14 de abril de 2017 - 11:45

Manhoso, Cofrinho e Careca, diz Odebrecht

Ex-secretário adjunto e procuradores do Estado teriam recebido propina da empreiteira

da Redação

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O Livre/Gcom-MT

Delação Odebrecht

 


A delação de um executivo da Odebrecht indica três novos nomes de supostos destinatários de propina paga pela empreiteira durante o segundo mandato do então governador e hoje ministro da Agricultura, Blairo Maggi.

De acordo com o depoimento de Pedro Augusto Carneiro Leão Neto, o então secretário adjunto do Tesouro Estadual, Edmilson José dos Santos, e os procuradores do Estado João Virgílio do Nascimento Sobrinho e Francisco Gomes de Andrade Lima Filho, o Chico Lima, foram beneficiários de R$ 330 mil cada, em troca de favores à empresa.

"Cada um dos beneficiários era designado por um codinome. Eu mesmo me encarregava de informá-los sobre a senha e o local do pagamento", afirmou o delator.

Santos, que em 2010 assumiria o posto de secretário de Fazenda no governo de Silval Barbosa, era identificado pelo codinome "Cofrinho" e recebeu, entre 2006 e 2007, R$ 330 mil da empresa.

No mesmo período, o então Procurador Geral do Estado, João Virgílio também recebeu, segundo o delator, R$ 330 mil. Na contabilidade parelela da Odebrecht, seu codinome era "Careca".

O procurador Chico Lima, segundo Leão Neto, recebeu no périodo os mesmos R$ 330 mil. Sua designação era "Manhoso".

Todos contribuíram diretamente, de acordo com a versão contida na delação, para que a empresa recebesse créditos relativos a obras realizadas na rodovia MT-010, no trecho entre Diamantino e São José do Rio Claro.

"As senhas e os locais para retirada do dinheiro eram por mim informados a Edmilson José dos Santos pessoalmente, em seu próprio gabinete (...)
Relativamente aos pagamentos ilícitos a João Virgílio e a Francisco Lima, eu fornecia as informações diretamente a Francisco Lima nos hotéis em que eu costumava me hospedar em Cuiabá: Paiaguás Palace, Deville (à época possuía outro nome) e Hotel Taiamã", detalhou Leão Neto.

Como provas do que afirmou, o diretor apresentou cópias de e-mails internos e planilhas "com registros das programações e dos pagamentos de vantagem indevida aos agentes públicos Edmilson José dos Santos, João Virgílio do Nascimento Sobrinho e Francisco Gomes".

Caldo
O depoimento do diretor consta de anexo do inquérito nº 4.447, que teve sua abertura autorizada pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF).

Além de Pedro Augusto Carneiro Leão Neto, a investigação levou em conta o depoimento de outro executivo da Odebrecht, João Antônio Pacífico Ferreira.

Em seu depoimento, Ferreira disse que, para receber os valores a que tinha direito, a empresa teve que pagar propina de R$ 12 milhões em benefício da campanha à reeleição do governador Blairo Maggi, em 2006. O pedido teria sido feito por Éder Morais, então presidente da MT Fomento.

"Menciona-se que Éder de Moraes Dias, agente público estadual, teria solicitado pagamento de vantagem indevida a fim de propiciar o recebimento dos créditos em comento, valores que seriam repassados, a pretexto de contribuição eleitoral, em favor da campanha de reeleição do então Governador do Estado do Mato Grosso Blairo Maggi. O solicitante, inclusive, teria mencionado que o pedido era de conhecimento do então Governador, surgindo o repasse de R$ 12.000.000,00 (doze milhões de reais)."

Outro trecho do inquérito revela que o codinome de Maggi utilizado pelo "setor de operações estruturadas", o departamento de propina da Odebrecht, era "Caldo".

A reportagem não conseguiu contato com o ex-secretário Edmilson, o procurador João Virgílio e o procurador aposentado Chico Lima. Em nota à imprensa, o ministro Blairo Maggi negou envolvimento com o suposto esquema.

Leia a íntegra da nota de Maggi:

"Lamento que meu nome tenha sido incluído numa lista de pessoas citadas em delações da Construtora Odebrecht, sem que eu tivesse qualquer possibilidade de acesso ao conteúdo para me defender. Me causa grande constrangimento ter minha honra e dignidade maculadas, numa situação na qual não sei sequer do que sou acusado. Mesmo assim, gostaria de esclarecer que:
1.    Não recebi doações da Odebrecht para minhas campanhas eleitorais.
2.    Não tenho ou tive qualquer relação com  a empresa ou os seus dirigentes.
3.    Tenho minha consciência tranquila de que nada fiz de errado.

Blairo Maggi"