07 de maio de 2017 - 07:34

Investigada na Lava Jato, Odebrecht atrasa duplicação da BR-163 em MT

Concessionária Rota do Oeste, ligada à construtora, depende da liberação de financiamento junto ao BNDES

Noelma Oliveira

, da Redação

noelma.oliveira@olivre.com.br

Divulgação/RotadoOeste

rodovia

 Trecho da rodovia duplicado na região Sul de Mato Grosso

 

As investigações da operação Lava Jato produziram reflexos na duplicação da BR-163, entre Rondonópolis e Sinop, principal corredor para escoar a produção agrícola de Mato Grosso. A rodovia está sob a concessão da Rota do Oeste, braço da empresa Odebrecht, que está no foco das acusações de pagamento de propina a políticos e empresários para obter vantagens em licitações. 

Uma reunião esta semana no Ministério dos Transportes com a bancada federal e o Movimento Pró-Logística, entre outros representantes, mostrou que a pendência deve continuar. No contrato inicial da Rota do Oeste com a União, foi assegurado um financiamento pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a duplicação de um trecho de 850 quilômetros - desde a divisão com Mato Grosso do Sul até Sinop.

O prazo para entrega da obra foi fixado em cinco anos, contados a partir da liberação do empréstimo. No entanto, diante do avanço da operação Lava Jato, a Odebrecht não conseguiu crédito no BNDES. 

A concessionária venceu o leilão em 2013, e o contrato foi assinado em 2014, estabelecendo que 453 quilômetros são de responsabilidade da empresa para os serviços de duplicação, manutenção e conservação. Em junho daquele ano, começou a duplicação, atingindo 117 quilômetros concluídos até Rondonópolis, sentido da região Sul.

Do trecho restante, pelo menos 400 quilômetros são de responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Já em 2016, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) repassou para a Rota do Oeste mais 108 quilômetros de rodovia, entre os municípios de Várzea Grande e Rosário Oeste. Neste caso, para manutenção e conservação.

O senador José Medeiros (PSD-MT) ameaçou esta semana deixar a base do governo federal caso não tenha um encaminhamento para a situação. “Estou colocando algumas condições para eu ficar.  Mato Grosso hoje contribui de forma muito importante no saldo da balança comercial brasileira. Da safra do Brasil, 27% são de Mato Grosso, que tem o maior rebanho e não dá para continuar com estas estradas”, reclamou o senador.  

“Agora, está uma briga na Lava Jato, e não vai sair a duplicação. Mato Grosso não tem nada a ver com isso, então, para ficar na base, eu quero que [a União] atenda o Estado. O BNDES não é um banco para ficar preocupado com risco, neste caso. Fizeram um compromisso com Mato Grosso, que iríamos pagar pedágio e que a rodovia estaria bem conservada e duplicada, e nós queremos que resolva”, frisou.  

Integrante do Movimento Pró-Logística, Edeon Vaz, que participou da reunião no Ministério dos Transportes, disse que a última alternativa é o governo determinar o financiamento ou a venda do controle da concessionária devido o envolvimento da Odebrecht na Lava Jato.  “Nesta reunião, a empresa pediu mais prazo para tentar buscar um investidor”, explicou. “[Para não] Pagar pedágio sem ver a obra, a gente tem que cobrar e vai continuar pressionando”, avisou.

Concessão
A concessionária se comprometeu em investir R$ 6,8 bilhões durante os 30 anos. Deste total, R$ 3,9 bilhões seriam nos cinco primeiros anos.  A empresa alega que arrecadou em 2016, período que já passou por auditoria, R$ 381 milhões. Neste mesmo tempo, desembolsou R$ 543,4 milhões. Segundo a assessoria de imprensa da Rota do Oeste, desde o início da concessão, foram realizados cerca de R$ 1,6 bilhão em investimentos.

 

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