15 de junho de 2017 - 07:20

Ex-secretário e procurador ficam isolados na Sodoma

Marcel de Cursi, Chico Lima e ex-adjuntos continuam presos em Cuiabá e ainda não confessaram crimes. Ex-governador cumpre prisão domiciliar

Mikhail Favalessa

, da Redação

mikhail.favalessa@olivre.com.br

Ednilson Aguiar/O Livre

Silval Barbosa

Ex-governador Silval Barbosa (PMDB) foi levado para a prisão domiciliar sob forte esquema policial depois de confessar e prometer devolver dinheiro desviado

O ex-secretário de Fazenda Marcel de Cursi e o procurador aposentado Francisco Gomes de Andrade Lima Filho, conhecido como Chico Lima, estão entre os últimos réus da Operação Sodoma que continuam detidos no Centro de Custódia de Cuiabá (CCC). Eles ainda não optaram por confessar suas participações no grupo criminoso liderado pelo ex-governador Silval Barbosa (PMDB) – que conquistou o direito à prisão domiciliar nesta terça-feira (13) ao confessar parte de seus crimes e pagar uma multa de R$ 46 milhões.

O ex-secretário de Fazenda é apontado pelo Ministério Público Estadual (MPE) como o mentor intelectual e um homem de confiança de Silval. Na pasta, ele autorizou diversos pagamentos que são alvos de investigações do MPE e da Delegacia Fazendária. Marcel de Cursi está preso desde setembro de 2015, quando o ex-governador também foi detido na deflagração da primeira fase da operação Sodoma. Funcionário de carreira do Estado, ele responde ainda por processos administrativos e pode perder o cargo.

Chico Lima atuou como procurador na Casa Civil durante o governo Silval e é indicado como operador do pagamento de propinas sob comando de Pedro Nadaf, ex-secretário-chefe da pasta, além de ter dado pareceres favoráveis a crimes praticados pelo grupo. Em pelo menos um caso, Chico Lima também é acusado de receber dinheiro ilegal. Durante a desapropriação do terreno do Jardim Liberdade, alvo da quarta fase da operação, ele teria recebido uma parte dos R$ 15,8 milhões desviados.

Nas ações judiciais a que respondem, Marcel e Chico Lima agora ficam isolados junto de outros dois réus, o ex-secretário-adjunto da Secretaria de Infraestrutura (Sinfra) Valdísio Viriato, também preso no CCC, e o ex-secretário-adjunto de Administração José de Jesus Nunes Cordeiro. O “coronel Cordeiro” está detido no Batalhão de Operações Especiais (Bope) por possuir patente militar. Acusado de ajudar a operar o esquema, ele também é citado por delatores como “braço armado”, tendo ameaçado o empresário Willians Paulo Mischur.

Valdísio Viriato tinha, dentro da Sinfra, a função de dar aparência de legalidade aos desvios realizados, por exemplo, nos contratos de abastecimento das patrulhas do governo de Mato Grosso.

Entre os implicados nas ações que fizeram parte do alto escalão do governo Silval, outro que não confessou ou fechou delação premiada é o advogado Anis Faiad afancisco, ex-secretário de Administração. Ele chegou a ser preso preventivamente em fevereiro deste ano, mas foi solto depois de conseguir um Habeas Corpus no Tribunal de Justiça. Faiad é apontado como um dos secretários da SAD que deram continuidade ao pagamento de propina nos contratos da secretaria, sendo acusado pelo MPE de recebimento de parte dos valores indevidos.

Na confissão que entregou à juíza Selma Rosane Arruda, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Silval Barbosa afirmou que montou o secretariado de seu governo com o objetivo de desviar recursos públicos. Segundo a decisão da juíza, em razão da campanha de 2010 ele afirmou que “assumiu um grande passivo a ser saldado e, por isso, escolheu alguns secretários para o recebimento de propina e para saldar as dívidas assumidas”.

Procurados pela reportagem, os advogados de defesa dos réus preferiram não se manifestar, mas a tendência é que agora, especialmente aqueles que tiveram crimes citados na confissão do ex-governador, deixem de negar algumas das condutas criminais imputadas a elas diretamente. Tudo indica que a quantidade o número de delações premiaras vai aumentar nos próximos dias.

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