11 de agosto de 2017 - 20:16

Em delação, Silval diz que Blairo comprou silêncio de Eder sobre vaga no TCE

Segundo o Jornal Nacional, ex-governador revelou que mudança em confissão de ex-secretário custou R$ 6 milhões

Rodrigo Vargas

, da Redação

rodrigo.vargas@olivre.com.br

Secom/MT

blairo silval

Silval Barbosa e Blairo Maggi: delação premiada ao STF revela suposto conluio para comprar o silêncio de Eder Moraes


Em delação homologada no Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-governador Silval Barbosa acusa o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, de participar de um conluio para mudar um depoimento do ex-secretário Eder Moraes sobre a compra de vaga no Tribunal de Conta do Estado (TCE).

O depoimento teve parte de seu conteúdo divulgado nesta sexta-feira pelo Jornal Nacional, da TV Globo.

Silval, segundo a reportagem, disse à Justiça que Eder recebeu R$ 6 milhões para mudar uma confissão que havia feito ao Ministério Público em 2015.

À ocasião, Moraes admitiu ter participado de um esquema frustrado para a compra de vaga no TCE, entre vários outros crimes. Mais tarde, alegando que estava sob "forte emoção", negou o conteúdo da confissão e pediu na Justiça a anulação das declarações.

De acordo com a delação de Silval, essa mudança custou caro. De um pedido inicial de R$ 12 milhões, ele e Blairo teriam conseguido negociar uma redução à metade, sendo R$ 3 milhões para cada.

O pagamento do valor que coube ao ministro, segundo a delação, foi feito em dinheiro vivo e entregue a Eder pelo empresário Gustavo Capilé de Oliveira, proprietário do jornal Diário de Cuiabá.

Silval, por sua vez, repassou parte do dinheiro por intermédio de seu ex-chefe de gabinete, Sílvio Corrêa, e ainda quitou uma dívida de R$ 800 mil do ex-secretário.

A mudança da versão do depoimento de Eder, segundo o Jornal Nacional, foi determinante para o arquivamento da denúncia apresentada contra Blairo em relação ao caso no STF. As revelações de Silval abrem caminho para uma reabertura do caso.

Silval citou, ainda, o pagamento de R$ 4 milhões ao deputado federal Carlos Bezerra (PMDB) em troca de apoio do cacique em uma eleição municipal.

Também disse que quitou dívidas de campanha e pagou propina ao senador Wellington Fagundes (PR). Para isso, o ex-governador disse que usou dinheiro de uma empreiteira contratada em um programa de pavimentação.

Outro lado
Ao Jornal Nacional, o ministro Blairo Maggi disse que jamais pagou pela mudança de versão de Eder Moraes e que Silval "mentiu" em relação ao pagamento em dinheiro.

Depois, em nota à imprensa, declarou "estranheza e indignação" com o que chamou de "acordos de colaboração unilaterais". "Nunca houve ação, minha ou por mim autorizada, para agir de forma ilícita dentro das ações de Governo ou para obstruir a justiça", afirmou.

O LIVRE está tentando ouvir outros personagens citados na reportagem. O Jornal Nacional não conseguiu ouvir as defesas de Silval, Eder e Gustavo Capilé.

Wellington Fagundes negou irregularidades e disse que suas contas de campanha foram aprovadas. Carlos Bezerra disse que a menção ao seu nome "não tem fundamento".

Confira a nota de Blairo Maggi, na íntegra:

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Deixo claro, desde já, que causa estranheza e indignação que acordos de colaboração unilaterais, coloquem em dúvida a credibilidade e a imagem de figuras públicas que tenham exercido com retidão, cargos na administração pública. Mesmo assim, diante dos questionamentos, vimos a público prestar os seguintes esclarecimentos:

1. Nunca houve ação, minha ou por mim autorizada, para agir de forma ilícita dentro das ações de Governo ou para obstruir a justiça. Jamais vou aceitar qualquer ação para que haja "mudanças de versões" em depoimentos de investigados. Tenho total interesse na apuração da verdade. Qualquer afirmação contrária a isso é mentirosa, leviana e criminosa.

2. Também não houve pagamentos feitos ou autorizados por mim, ao então secretário Eder Moraes, para acobertar qualquer ato. Por não ter ocorrido isto, Silval Barbosa mentiu ao afirmar que fiz tais pagamentos em dinheiro ao Eder Moraes.

3. Jamais utilizei de meios ilícitos na minha vida pública ou nas minhas empresas. Sempre respeitei o papel constitucional das Instituições e como governador, pautei a relação harmônica entre os poderes sobre os pilares do respeito à coisa pública e à ética institucional.

4. Por fim, entendo ser lamentável os ataques a minha reputação, mas estou com a consciência tranquila quanto às minhas ações e assim que tiver acesso ao teor da possível delação, usarei de todos os meios legais necessários para me defender, pois definitivamente acredito na Justiça. O momento exige serenidade e responsabilidade.

Blairo Maggi

 

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