30 de setembro de 2017 - 07:00

Depois de prisões na cúpula do governo, deputados defendem pacto por governabilidade

Alguns parlamentares avaliam que Pedro Taques agravou crise ao enfrentar Poder Judiciário

Laíse Lucatelli

, da Redação

laise.lucatelli@gmail.com

Ednilson Aguiar/O Livre

 Palácio Paiaguás

Palácio Paiaguás

A crise política no governo de Mato Grosso, agravada esta semana com a prisão de dois secretários e dois ex-secretários, pode afetar a governabilidade, na avaliação de alguns deputados. Por isso, o deputado estadual Romoaldo Junior (PMDB) defende que os poderes façam um pacto e que todos recuem um pouco em suas posições.

“Um estado onde cinco conselheiros estão afastados. De 24 deputados, 17 estão sendo investigados. Um estado em que o Poder Judiciário e o Governo do Estado estão se digladiando. É um clima de tensão”, observou. “A população se assusta a cabe a todos nós fazer um pacto pela governabilidade urgente. E todo mundo abaixar um pouco a crista. Temos que buscar equilíbrio e harmonia  entre os poderes. Não dá para conviver assim. Isso é muito ruim e não vai terminar bem”, prevê.

Na avaliação do peemedebista, a crise entre Executivo e Judiciário foi causada por erros das duas partes: do governador Pedro Taques (PSDB) e do desembargador Orlando Perri. Ele diz ser favorável que Perri continue à frente dos processos, por ser “um homem sério e decente”, mas defende que o magistrado pese menos a mão na hora de afastar e prender secretários.

“O governador errou quando voltou de Juína e partiu para o enfrentamento”, disse, referindo-se à entrevista coletiva em que ele criticou o desembargador. “Quando você sofre uma baixa no governo, tem que buscar o entendimento e a conversação. Mas também não pode ficar afastando secretários dessa forma”, analisou. Romoaldo defende que prisões sejam feitas somente depois que a condenação transitar em julgado, ou seja, que não couber mais recursos.

A proposta encontrou ressonância no deputado Guilherme Maluf (PSDB). “A área pessoal começou a interferir nos relacionamentos institucionais. Por isso que temos que ter o bom senso de fazer uma reflexão, dar um passo atrás, tomar um chazinho, uma canja de galinha, e pensar Mato Grosso. Se partir para a guerra, como é que faz? Ninguém ganha nada. É um perde-perde”, alertou.

O tucano já aponta sinais de recuperação, depois da reunião que Pedro Taques realizou com os chefes dos outros poderes para tentar amenizar a tensão entre as instituições. “Quando o governador pede para todo mundo sentar à mesa e buscar uma solução é uma atitude de bom senso”, disse.

O presidente da Assembleia Legislativa, Eduardo Botelho (PSB), também defendeu o acordo, mas minimizou os danos da crise política. “Claro que há um impacto, mas não atrapalha o governo em si, porque o cérebro do governo é a área econômica, que não foi atingida. Fazenda e Planejamento estão livres de qualquer suspeita”, afirmou. “Há necessidade de união entre os Poderes. Tem que acabar com o tensionamento e a ideia que há uma briga de poderes”, completou.

Oposição

O deputado Zeca Viana (PDT) disse que só aceita fazer um pacto como esse depois que que as investigações apontarem todos os responsáveis pelos grampos. “Pacto só depois de limpar quem está errado. Não vamos jogar a sujeira para debaixo do tapete nem tapar o sol com a peneira. O mandante dessas falcatruas tem que vir à tona e pagar. Nós da oposição vamos cobrar sempre”, disse.

O oposicionista ainda culpou o governador pela crise e pelo afastamento dos secretários. “Ele está desafiando o Judiciário, que está fazendo seu trabalho”, afirmou.

A deputada Janaina Riva (PMDB) também culpou o governador pela crise atual. “Faltou uma postura austera do governador. Desde que surgiram as denúncias, ele mesmo deveria ter feito o afastamento por cautela e talvez teria evitado que essas prisões acontecessem. O afastamento não é para condenar ninguém. É para preservar a lisura das investigações”, disse.

Ela também vê prejuízos à condução do governo. “Não podemos generalizar, porque não são todos os secretários que vêm passando por dificuldades com suas ações. Mas isso dificulta a governabilidade, porque a todo momento tem que parar os trabalhos para se concentrar em se defender”, avaliou.

Operação Esdras

A Polícia Civil deflagrou, na quarta-feira (27), a Operação Esdras, para investigar um suposto esquema de grampos ilegais na cúpula do governo estadual. Foram presos preventivamente os secretários de Segurança Pública (Sesp), Rogers Elizandro Jarbas, e de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), Airton Benedito de Siqueira, e os ex-secretários da Casa Militar, Evandro Lesco, e da Casa Civil, Paulo Zamar Taques.

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