09 de fevereiro de 2018 - 11:16

Assessor de Silval mandou mensagens da cadeia a vítima de grampos

Advogada Gisele Bergamasco trabalhava na Casa Militar, quando teve seu número interceptado ilegalmente

Mikhail Favalessa

, da Redação

Ednilson Aguiar/O Livre

Silvio Corrêa

Silvio Corrêa: ele alertou advogada de que o telefone dela estava grampeado

O chefe de gabinete do ex-governador Silval Barbosa, Sílvio César Corrêa Araújo, teria enviado mensagens de dentro do Centro de Custódia da Capital (CCC) a uma das vítimas do caso dos grampos. A advogada Gisele Bergamasco trabalhava na Casa Militar, que era comandada à época pelo coronel Airton Benedito Siqueira Júnior, réu do caso.

"Eu trabalhava na Casa Militar desde 2005, passei pelos governos Maggi, Silval e Taques. Eu vi pela imprensa que o número que eu utilizava, que estava em nome do meu pai, estava entre os interceptados. Fiquei cerca de três anos na assessoria de conflitos fundiários", contou.

"Eu estava na casa militar e o Silvio Cesar Araújo me mandou uma mensagem. Ele me disse que precisava tirar o passaporte e disse pra eu ficar tranquila, que podia falar com ele. Eu levei ao coronel [Airton] Siqueira e depois ao coronel [Ronelson] Barros e tirei prints da conversa. Na época o Silvio estava preso com o governador Silval, e por isso foi encaminhado para apurar", disse.

Gisele disse que teve problemas profissionais depois que foi divulgada a informação de que seu telefone havia sido grampeado. Os números das vítimas dos grampos foram incluídos de maneira irregular em investigações por crimes como tráfico de drogas.

"Eu tive uma certa dificuldade, eu sou advogada, e as pessoas ficaram achando que eu estava envolvida em alguma coisa", disse.

A advogada disse desconhecer a razão pela qual o coronel Zaqueu Barbosa, apontada como um dos principais responsáveis pelas interceptações, poderia querer ouvir suas conversas. "Eu sou casada com um policial militar há 16 anos, mas não sei dizer se tinha interesse [do coronel Zaqueu]", disse.

Gisele também foi ouvida pelo promotor de Justiça Marco Aurélio de Castro, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado) à época em duas ocasiões. Na primeira, ela foi ouvida informalmente, e na segunda, a seu pedido, houve registro para que não ficasse a impressão de que ela havia procurado o Gaeco de maneira espontânea, revelou a testemunha.

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