10 de outubro de 2017 - 09:48

STJ considera Paulo Taques protagonista dos grampos e o mantém preso

Ministro Ribeiro Dantas negou pedido de liberdade feito pelo ex-secretário da Casa Civil

Mikhail Favalessa

, da Redação

mikhail.favalessa@olivre.com.br

Ednilson Aguiar/O Livre

Paulo Taques deixa a prisão

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou um pedido de liberdade do advogado e ex-secretário da Casa Civil Paulo Taques. De acordo com o tribunal, a prisão do ex-secretário não representa constrangimento legal e se justifica pelos fatos apresentados até o momento. Em sua decisão, o ministro Ribeiro Dantas, relator do caso no STJ, cita que Paulo Taques seria um “um dos principais protagonistas” dos grampos.

A decisão é do último dia 04. O ex-secretário foi preso em 27 de setembro, acusado de participar de um esquema que teria como objetivo embaraçar as investigações sobre as interceptações telefônicas ilegais. O suposto grupo criminoso, que incluiria Paulo Taques, teria cooptado o tenente-coronel José Henrique Costa Soares para que fossem gravadas ilegalmente imagens do desembargador Orlando Perri, relator dos grampos no Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

A suposta tentativa de obstrução, investigada na Operação Esdras da Polícia Judiciária Civil, demonstraria "o poderio do grupo criminoso".

A prisão de Paulo Taques seria justificada por uma participação significativa do ex-secretário, tanto na realização dos grampos como na tentativa de obstrução de Justiça. “A trama delituosa sempre girava em torno de alguns nomes: Paulo Cesar Zamar Taques, coronel Zaqueu [Barbosa], coronel [Evandro Alexandre Ferraz] Lesco, coronel [Ronelson] Barros e cabo Gerson [Luiz Ferreira Correa Júnior]”, escreveu o desembargador Orlando Perri na decisão que determinou a prisão preventiva.

A defesa do ex-secretário nega sua participação nos crimes e afirma que, até o momento, não foi possível identificar as práticas individuais de cada um dos suspeitos. Para a defesa, não existiriam fatos novos para justificar a prisão de Paulo Taques.
“Entrementes, com o depoimento do tenente-coronel José Henrique Costa Soares, desvelou-se novos participantes do grupo criminoso: o delegado Rogers Elizandro Jarbas, o major Michel Ferronato, o sargento [João Ricardo] Soler, dentre outros, como se verá a frente”, disse em outro trecho.

De acordo com desembargador, o tenente-coronel Soares teria sido coagido, por integrantes do grupo criminoso, a não ter revelada uma dependência química e a prática de atividade empresarial incompatível com o cargo militar, desde que monitorasse Perri e as investigações em andamento. São relatados encontros do militar com a esposa do coronel Lesco, a personal trainer Helen Christy, para uma suposta cooptação para o esquema.

As informações sobre a dependência e a sociedade em empresa teriam sido fornecidas por Paulo Taques, que já havia atuado anteriormente como advogado de Soares.

Grampos
Conforme apurado pelas investigações até o momento, foram realizadas interceptações telefônicas ilegais nas operações Ouro de Tolo, Forti e Querubim, além de uma investigação contra o tráfico de drogas em Cáceres e também durante as eleições de 2016 em Lucas do Rio Verde.

Foram grampeados telefones da deputada Janaína Riva (PMDB), dos advogados eleitorais José do Patrocínio e José Antônio Rosa, do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), de duas mulheres relacionadas a Paulo Taques, e até mesmo quatro números pertencentes ao Ministério Público Estadual (MPE). Para Perri, os grampos eram meios para outros crimes.