13 de setembro de 2017 - 10:46

Vítimas de furacão relatam momentos de tensão e destruição

Samara e Sara Bandeira estavam na ilha de Tortola, devastada pela passagem do Irma; mais velha vai voltar

Helson França

, da Redação

helson.franca@olivre.com.br

Divulgação

Família Bandeira

 

Depois de vivenciar momentos de tensão na ilha caribenha de Tortola, devastada pela passagem do furacão Irma na semana passada, as cuiabanas Samara Cristina Nunes Bandeira, 17, e Sara Cristina Nunes Bandeira Joseph, de 24 anos, com o filho de 1 ano e 8 meses, puderam, enfim, serem reconfortadas com o carinho da família.

As irmãs aterrissaram no aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande, na manhã desta quarta-feira (13), foram recepcionadas pelos familiares e seguiram direto para a casa dos pais, em Cuiabá.

Casada com Marvin Joseph, morador local, Sara reside na ilha há cinco anos e, apesar do susto, pretende voltar tão logo os serviços por lá se normalizem, o que deve ocorrer em até 4 meses, conforme as autoridades.

"Como tenho filho pequeno, não tinha como ficar lá. Falta energia elétrica, água, os atendimentos de saúde estão precários, o comércio não funciona, enfim, muita coisa precisa ser reconstruída. Mas temos certeza que a ilha ficará mais bonita que antes", contou.

A casa onde ela vivia com o marido foi totalmente destruída, assim como um dos três carros do casal, que trabalha no ramo de limpeza de estofados e carpetes. Evangélicos, eles se conheceram em Cuiabá, durante um intercâmbio entre missionários das igrejas. 

Ela relatou que o governo local confirmou aos habitantes sobre a passagem do furacão pela ilha com apenas dois dias de antecedência. Porém, o alerta já vinha sendo dado três dias antes. O Irma, na categoria 5, a de maior destruição, passou por Tortola na última quarta-feira (6).

Segundo Sara, que buscou refúgio com o marido, o filho e a irmã em um hotel, a passagem do furacão pela ilha durou 5 horas. "Como muita gente mora nas montanhas ou perto do litoral, em casas de madeira, os hotéis foram muito procurados como abrigo", explicou. "Nós só levamos roupas, comida e água, mas vamos nos reerguer".

A família, quando da passagem do furacão, procurou ficar no banheiro, e em oração. "Não ouvíamos mais nada além do barulho do vento, que era muito forte. Meu marido chegou a ver, pela janela, casas sendo destelhadas, tendo as janelas quebradas, pessoas correndo pela rua. Foi o momento de maior medo, mas felizmente nada nos ocorreu", detalhou Sara.

Ela havia estado em Cuiabá há três meses, para buscar a irmã Samara, que pretendia passar um ano na ilha. As duas e o bebê foram resgatadas na segunda-feira (11) pelo piloto de helicóptero Rodrigo Duarte, paulista, que seguia para Miami e ofereceu ajuda ao governo brasileiro.

Ele transportou as irmãs e o bebê, além de mais dois brasileiros que estavam em Tortola, até Porto Rico. De lá, Sara, Samara e bebê seguiram viagem para o Brasil.

Foi a primeira vez que a ilha caribenha foi atingida por um furacão de categoria 5. Além de Tortola, São Martinho, Turcas e Caicos, demais áreas caribenhas foram afetadas pelo Irma nos últimos dias (como regiões em Cuba, Bahamas, Porto Rico, Haiti, República Dominicana, Antígua e Barbuda e territórios da França e Holanda), como também os estados da Flórida e Geórgia, nos Estados Unidos.

Nas ilhas caribenhas, ao menos 27 pessoas morreram.

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