28 de junho de 2017 - 07:10

Maestro Fabrício Carvalho fala de cultura e política

Secretário de Relações Institucionais da UFMT defende revisão da Lei Kandir e atuação da universidade na tecnologia

Mikhail Favalessa

, da Redação

mikhail.favalessa@olivre.com.br

Ednilson Aguiar/O Livre

Fabrício Carvalho

Fabrício Carvalho foi o entrevistado do programa O Livre, que vai ao ar nesta terça-feira (27)


Entrevistado desta semana no programa O Livre, com o jornalista Augusto Nunes, o  maestro da Orquestra Sinfônica e secretário de Articulação e Relações Institucionais da UFMT, Fabrício Carvalho, falou de suas aspirações políticas e propôs uma revisão para a Lei Kandir, que isenta do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (IMCS) aqueles produtos destinados à exportação.

No caso de Mato Grosso, a isenção atinge principalmente a produção agrícola, e para Fabrício é necessário que isso seja revisto para que o Estado entre em um novo ciclo de produção.

"A minha vontade é de fazer algo mais porque eu acredito em um país melhor, quero deixar um país melhor para os meus filhos. Se isso for pela política, eu estarei pronto para estar nela"

“O político tradicional responderia ‘não, eu estou focado no meu trabalho e pode ser que um dia aconteça’. Eu vou ser muito sincero, e eu acho que um homem público tem que ser sincero sempre", disse o maestro ao ser questionado sobre suas aspirações.

"Não é pelas luzes, ou pela fama. Isso eu já tenho como maestro. A minha vontade é de fazer algo mais porque eu acredito em um país melhor, eu quero deixar um país melhor para os meus filhos. Se isso for pela política, eu estarei pronto para estar nela”.

O secretário ainda propôs que a UFMT possa auxiliar com transferência de tecnologia para solucionar problemas. Para ele, a comunicação com a sociedade deve ser uma questão premente do trabalho da universidade.

“Nós vamos até as pessoas, vamos até o setor produtivo, vamos oferecer tecnologia de ponta, até porque nós precisamos também de recurso financeiro. Com a crise brasileira nos últimos três anos, a diminuição de recursos para universidades públicas foi tremenda”, disse.

“Então, se a gente não se virar do ponto de vista estratégico e estabelecer essa relação direta com o mercado, a gente fica pra trás. Fica pra trás no financiamento e fica pra trás na construção das soluções”, afirmou Fabrício.

"Eu não acredito em uma música de elite, assim
como não acredito que a
educação seja de elite"

Para ele, as soluções tecnológicas para a produção agrícola do Estado já estão ao alcance dos grandes produtores, mas ainda existe um gargalo com relação à agricultura familiar e à média produção.

Música
Maestro da Orquestra Sinfônica da UFMT, Fabrício falou também ao programa sobre música e a importância dela para o desenvolvimento social. “Orquestra sinfônica é um índice de desenvolvimento dos países. Significa o seguinte: quanto mais orquestras sinfônicas em um país e em uma cidade, maior o nível. É igual o valor de um Big Mac, por exemplo. Você mede a inflação e o desenvolvimento pelo valor do Big Mac”, afirmou.

Para o maestro, quanto mais acesso à cultura e à informação uma sociedade tiver, mais condições as pessoas terão de refletir sobre as decisões coletivas que precisam ser tomadas.

“Eu não acredito em uma música de elite, assim como não acredito que a educação seja de elite", declarou. "Eu acho que, no final das contas, é tudo uma questão de informação. Quanto mais informadas forem as pessoas -- com literatura, música, artes plásticas e cinema --, maior o poder de absorção dessas informações e maior o poder de reflexão e reação”, disse.

“Se só me empurrarem o arrocha, a ‘sofrência’, eu só vou entender que é aquilo o que eu tenho para me alimentar. E isso não é verdade. Quando a gente faz concertos ao ar livre, percebe que as pessoas mais simples são as mais tocadas”, constatou o maestro.

Veja o programa na íntegra:

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