21 de setembro de 2017 - 08:40

"Era muita gritaria e choro", relata cuiabano

Pedro Müller, 27 anos, estava na Cidade do México no dia em que o país vivenciou o tremor mais mortífero em três décadas

Helson França

, da Redação

helson.franca@olivre.com.br

Alejandro Cruz/EPA

Terremoto no México

Terremoto no México: tragédia como não se via há 30 anos

O cuiabano Pedro Gabriel Rodrigues Müller, 27 anos, viveu momentos de tensão no início desta semana. Ele estava na Cidade do México, nesta terça-feira (19), data em que a capital do México foi atingida por um terremoto de 7,1 graus na escala Richter, o mais mortífero do país em três décadas.

Pedro, que mora em São Francisco (EUA), é gerente de marketing para América Latina em uma empresa de software de atendimento ao cliente e encontrava-se na cidade a trabalho desde a segunda-feira (18). Segundo ele, eram por volta de 11h30 quando os tremores começaram a ser sentidos.

"Estava em um café localizado na parte de fora, quando a terra começou a tremer. Como cuiabano, não sabia o que fazer. Saí e fui para a rua, que era estreita e cheia de prédios de 15, 20 andares em volta. Lembro-me de olhar para cima e ver eles balançando. De repente as pessoas começaram a ir para a rua", disse.

Assustado, Pedro não soube precisar ao certo quanto tempo o terremoto durou, mas que "foi bastante". "Era muita gritaria e choro, algo bizarro", contou.

O local onde ele estava fica na avenida Paseo de la Reforma, uma das principais da Cidade do México, situada na parte nova da capital, com construções mais resisntes a abalos sísmicos.

Porém, na região antiga da cidade, como nos bairros de Roma e Condesa, por exemplo, não foram poucos os imóveis a desabar. Conforme o governo mexicano, ao menos 44 edifícios, somente na capital, viraram ruína.

Divulgação

Terremoto.cuiabano

 

"Ficamos sem internet e energia elétrica e somente de noite, pouco antes de dormir, é que fui ver os vídeos dos estragos nos outros lugares da cidade e demais localidades. Só então tive a real dimensão da gravidade do ocorrido". 

Conhecidos do rapaz também passaram por momentos de pânico. "Meu chefe estava no elevador do hotel quando começou o terremoto. Ele ficou preso no 12º andar e precisou abrir as portas com as mãos", relatou.

No dia seguinte ao tremor, Pedro pegou o voo de volta para São Francisco, pela manhã. "Foi um grande alívio", admitiu.

O terremoto da terça-feira aconteceu justamente no 32º aniversário de um sismo de 1985 que deixou milhares de mortos na capital do México, e pouco depois de uma simulação em nível nacional para recordar o fato.

O epicentro dos tremores de terça foi a cerca de 12 quilômetros da localidade de Axochiapan, no Estado de Morelos (centro do país).

Balanço

Em uma mensagem de vídeo divulgada na noite de terça-feira, o presidente Enrique Peña Nieto fez um pedido de calma e disse que as autoridades trabalham para levar ajuda. Ele disse que 40% da Cidade do México e 60% do Estado vizinho de Morelos ficaram sem eletricidade.

"A prioridade neste momento é continuar o resgate de quem está preso e dar atenção médica aos feridos", declarou.

O prefeito da Cidade do México, Miguel Ángel Mancera, disse que, em razão do terremoto, houve deslizamentos de terra em 44 lugares.

Ao menos 86 pessoas morreram na Cidade do México, 71 no Estado de Morelos, 43 em Puebla, 12 no Estado de México, que circunda a capital, 4 em Guerrero e 1 em Oaxaca. Ao longo de quarta-feira, equipes de resgate e voluntários retiraram pessoas cobertas de pó, algumas semiconscientes e outras gravemente feridas.

Leia mais