06 de dezembro de 2017 - 07:40

Atletas virtuais da UFMT são campeões de tudo, mesmo sem apoio da universidade

Mesmo representando a universidade e vencendo torneios nacionais, os estudantes não recebem ajuda para competir

Lázaro Borges

, da Redação

lazaro.borges@olivre.com.br

Arquivo Pessoal

Equipe E-Esportes UFMT

Equipe de esportes virtuais da UFMT, encabeçada pela Atlética Trojan, do Instituto de Computação

O segundo lugar no Torneio Universitário de E-Esportes fez com que Luiz Sá desabafasse sobre a falta de apoio para competir nacionalmente. Ele, um estudante de Direito na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) acostumado com vitórias na categoria em que compete, acumula dois campeonatos nacionais de futebol virtual e é uma das revelações brasileiras do esporte.

Mas a universidade não soube aproveitar os resultados positivos da modalidade nos últimos jogos universitários, quando as duas únicas medalhas de ouro vieram justamente do e-esportes. Luiz e a prima, Raphaella Magalhães, foram campeões de futebol virtual nas categorias masculino e feminino. A estudante de 22 anos venceu os jogos novamente este ano, sagrando-se bicampeã nacional. 

“Eles não apoiam nada, é bem complicado isso. E aí a gente vai em outros eventos conhecer como é que nas outras universidades e vemos que eles são cheios de patrocinadores, com equipamento e lugar para treinar. A gente não consegue tirar nem 100 reais por mês de apoio. Depois dessa derrota estou até repensando se vale a pena me esforçar para ganhar títulos de novo”, criticou Luiz.

"Tem pessoas que nos ajudam muito, mas a própria instituição em si não. Todo ano eles falam que vai ter bolsa atleta e até hoje não saiu nada. Dentro da minha faculdade existe reconhecimento, existem pessoas que ajudam, mas não da própria instituição, não tive nem um parabéns, no máximo uma nota no site da UFMT, mais nada", disse Raphaella, que é estudante de Educação Física. "Eu queria que a universidade desse uma moral, queria que a instituição demonstrasse que se importa com o pessoal dos jogos virtuais porque a gente levou o nome da UFMT nacionalmente", comentou. 

A equipe mato-grossense da qual Luiz faz parte chegou à final do torneio depois de concorrer com mais de 80 equipes de todo país. Além do futebol virtual, os atletas da UFMT também disputaram Counter Strike, um jogo eletrônico de tiro em primeira pessoa. O vencedor da disputa viajaria até Portugal para enfrentar uma competição mundial da categoria.

Luiz figura entre os três melhores jogadores do Brasil. O jovem já participou de quatro competições nacionais e venceu a maioria. Ao lado da prima e dos atletas que disputam no Coutry Strike o grupo tornou-se um dos expoentes da modalidade levando o nome do estado como um dos promissores no e-esportes.  “A faculdade não faz questão nenhuma de ajudar. Eles olham com preconceito. A única coisa que a gente pode fazer é mostrar os resultados como resposta”, lamentou. “O problema é você se esforçar tanto e não ter um apoio”, acrescentou Luiz. 

Outro lado

A reportagem tentou contato da UFMT para entender se existe um programa de incentivo a esses atletas. Em resposta, a assessoria informou que, apesar de não existir um projeto específico, os atletas virtuais podem tentar receber apoio através do "auxilío-vivência", sujeito a aprovação da administração.