01 de fevereiro de 2018 - 11:40

Memória e liberdade no carnaval do bloco afro-cuiabano Panteras Negras

Iniciativa pretende ocupar bairros e ruas centrais com afirmação da cultura negra, periférica e urbana durante o carnaval

Maria Clara Cabral

, da Redação

Maria Cláudia Reis

Bloco Panteras Negras

Bloco Panteras Negras

O carnaval é uma das manifestações culturais que se expressa na sonoridade tipicamente afro-brasileira. E para lembrar as raízes de uma das celebrações mais conhecidas do mundo, o bloco afro-cuiabano Panteras Negras reunirá jovens que ocuparão as ruas da cidade defendendo e valorizando sua ancestralidade.

Os foliões se inspiraram em iniciativas pioneiras como o Ilê Aiyê, um dos primeiros blocos de carnaval afrodescendente do país, realizado desde 1974, em Salvador. O nome também é uma referência à comunidade de autodefesa da população negra que surgiu como reação à polícia da Califórnia nos anos 60.

Maria Cláudia Reis

Bloco Panteras Negras

Thais Marques e Alex Brito 

Alex Brito é um dos organizadores do Bloco e conta que a iniciativa surgiu despretensiosa, a partir de uma conversa com as amigas Mariana Lopes e Paula Patrícia. “Foi nos perguntando como seria o carnaval que a gente resolveu fazer um bloco de preto para preto”, conta. 

No entanto, a iniciativa se concretizou da necessidade de criar um espaço confortável e representativo para a diversidade, afirmando a estética e identidade da negritude cuiabana. 

“Honestamente, a gente sabe como é não se sente sentir confortável em outros espaços para sermos nós mesmos e usar o que a gente quiser. Cabelos, roupas, estética, seja o que for. A criação desse espaço é uma necessidade de livre expressão da nossa cultura”, defende. 

Maria Cláudia Reis

Bloco Panteras Negras

Bloco Panteras Negras

Alex conta que toda a produção está sendo realizada por profissionais negros, desde os fotógrafos até as artistas que serão atrações nos eventos, voltadas prioritariamente para um público negro.

“Todo o bloco será voltado à cultura afro-brasileira, justamente por sentir falta delas nos espaços; nosso enfoque da música, dos ritmos, o material que está sendo produzido, e quem está produzindo são negros, justamente pela necessidade de ocupação dos espaços e expressar nossa cultura, enfatizando a negritude e ancestralidade”, afirma.

Maria Cláudia Reis

Bloco Panteras Negras

Thais Marques e Alex Brito

O grupo está fechando a programação que por enquanto se concentrar em locais como a escadaria do Beco Alto, localizado entre as ruas Pedro Celestino e Ricardo Franco, próxima à praça da Praça da Mandioca. Mas a ideia é espalhar ações e eventos gratuitos em diferentes regiões e bairros da cidade.

“Não terá desfile, a gente vai fazer cada dia o carnaval em um lugar diferente. Nosso enfoque é ocupar as periferias e pretendemos fazer um dia do carnaval no CPA”, revela Alex.

Para viabilizar suas ações e arrecadarem fundos, o grupo realiza um esquenta de carnaval nesta sexta-feira (02), no Macaxeira Pub, às 21 horas, com entrada será R$5. As ações serão divulgadas pelas redes sociais.