06 de novembro de 2017 - 09:00

Ebinho Cardoso faz campanha em plataforma para novo disco

Junto ao uruguaio Nando Michelin, desenvolveu projeto inspirado pela poesia de João Cabral de Melo Neto

Lidiane Barros

, da Redação

lidiane.barros@olivre.com.br

Divulgação

Ebinho Cardoso e Nando Michelin

Ebinho Cardoso e o uruguaio Nando Michelin gravaram disco com poemas de João Cabral de Melo Neto

Depois de um longo período sem lançar novos trabalhos em decorrência de uma tendinite que o levou a parar de tocar por alguns anos, um dos mais respeitados músicos cuiabanos, volta à ativa. Morando atualmente em Boston (EUA), Ebinho Cardoso, está de disco novo. Na semana passada, deu início a uma campanha pela plataforma de crownfunding, Kickstarter, para viabilizar o lançamento da obra. Os fãs cuiabanos já começam a colaborar. 

O projeto, titulado Engenheiros, traz uma coletânea com poemas musicados de João Cabral de Melo Neto. Ao lado de Ebinho, está o pianista e compositor uruguaio, Nando Michelin. A parceria entre Nando e Ebinho nasceu da admiração mútua de seus trabalhos com a música, combinada às influências artísticas e musicais de cada um deles.

Segundo os músicos, faltava melodia aos poemas eternizados pelo grande autor brasileiro. “Sua escrita centra-se em imagens, ações e descrições físicas. Foi daí que tiramos o nome do projeto. A imagem de um engenheiro que projeta um edifício é frequentemente usada para descrever sua poesia, um epíteto que Melo Neto adotou. Sua poesia também foi marcada por seu uso rigoroso de medição e rimas assonantes”, descreve Nando.
Ebinho, por sua vez, celebra o retorno: “Eu e ela [a música] estamos de volta”. Ele ressalta, que Nando o atraiu, especialmente, porque encontrou no pianista, a mesma busca por um trabalho que pudesse misturar a essência do cancioneiro brasileiro com vertentes do jazz e da música pop contemporânea.

“Depois de uma ida de Nando ao Brasil, ele me fez o convite para compor músicas com a poesia de João Cabral de Mello Neto, até então quase desconhecido para mim, não fosse por Chico Buarque com Morte e vida Severina. Foram dois anos pesquisando a obra do João Cabral de Melo Neto e disso nasceram muitas canções e junto delas a ideia de fazer um álbum que misturasse nossas influências com as vivências de João Cabral, que também era diplomata e viveu em muitos lugares do mundo trazendo tudo isso pra sua poesia”, explica Ebinho.

A música que está sendo divulgada, Canção, se configura pela união de dois poemas de João Cabral, ambos, chamados Canção. “Enfim, para mim esse trabalho reacende a vontade de fazer música e de lutar pelos meus sonhos”, diz o cuiabano.

A propósito, Ebinho aproveita para contar um pouco de sua saga em “terras americanas”. Foi ministrando oficinas para falar sobre a pioneira pesquisa sobre harmonia aplicada ao baixo elétrico, no New Hampshire Bass Festival, que a jornada começou. “Graças às parcerias que o mestre Celso Pixinga iniciou com músicos americanos a alguns anos atrás, tive a chance de começar a batalhar pelo sonho de ter uma carreira internacional. Resolvemos, eu e minha companheira Rejane De Musis, trazer a família para viver uma nova experiência em uma das cidades mais cosmopolitas do mundo, Boston que, assim como Nova York, recebe músicos e artistas do mundo inteiro. Isso talvez tenha sido o melhor presente de todos”.

Mas a família passou por vários contratempos. “Os primeiros meses foram bem confusos, mas graças aos trabalhos realizados no Brasil fui muito bem recebido pelos músicos de Boston. Nos primeiros anos produzi muito em relação ao meu trabalho como pesquisador, instrumentista e cantor”.

“Nesse processo de encarar uma nova cultura, nova língua e recomeço da carreira, a cobrança comigo mesmo foi muito grande e novamente as dores que tanto me atrapalharam anos atrás estavam de volta. Sim, a tendinite voltara mais forte do que nunca, me fazendo parar de tocar o baixo piccolo por três anos. Foram várias tentativas frustradas de retorno, que me trouxeram uma forte crise de depressão, muitos remédios e muita tristeza”, relembra.

Ebinho conta que a crise só começou a se dissipar, quando decidiu se dedicar ao baixo convencional, a cantar, compor canções e estudar engenharia de som. Foi aí que conheceu Nando Michelin, professor no departamento de piano da Berklee School Music. E então, a nova fase começa neste ponto.

Unem-se a Nando (piano) e Ebinho (baixo e voz), importantes músicos, de várias nacionalidades, tais quais, Sergio Santos, Renato Braz, Mirella Costa e o filho de Ebinho, Ian Cardoso, nos vocais; Leo Amuedo e Claudio Ragazzi (guitarras), Tucker Antell (saxofone e flautas), Yulia Musayelian (flauta), Rogerio Boccato (percussão) e Thiago Michelin. 

Quem quiser mais informações e colaborar, pode acessar o link por aqui

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