13 de setembro de 2017 - 06:30

Vamos falar de cerveja?

Um curioso processo ocorrido há cerca de 8 mil anos deu origem à bebida alcoólica mais popular do planeta

Por Vinícius H. Masutti

Se você começou a ler esse texto é porque gosta de uma cervejinha. Mas você sabe do que é feita a cerveja? Conhece os estilos? Sabe o que cada ingrediente confere à bebida? E a história da cerveja? Pois bem, não se preocupe. A partir de hoje teremos um encontro semanal, onde vou esclarecer tudo pra você. A intenção é que aprenda mais sobre esse assunto tão saboroso e entenda cada vez mais o que está no copo.

Pra começar falaremos sobre um ingrediente estrutural da bebida, o malte. Mas antes, temos que voltar um pouco no tempo e falarmos sobre a origem da cerveja.

Os registros mais antigos que temos notícia, datam a origem da cerveja, mais ou menos há cerca de 6000 anos antes de Cristo. Isso mesmo, a cerveja está intimamente ligada com a civilização e nos acompanha há milênios.

Mas como nossos ancestrais produziam cerveja naquela época, sem tecnologia? A cerveja é irmã do pão, pois basicamente se usam os mesmos ingredientes e o pão é o alimento mais antigo manufaturado pelo homem. A cerveja, ao que tudo indica, a bebida mais antiga. Deixe eu contar brevemente como aconteceu.

Naquela época, nós ainda éramos um bando de hominídeos nômades, chamados de caçadores-coletores, pois vagávamos pelas planícies da mesopotâmia - hoje oriente médio - literalmente coletando frutas, legumes e qualquer coisa comestível que encontrávamos no caminho e caçando pequenos animais. Mas, num dado momento, houve uma
das maiores revoluções da humanidade, a revolução agrícola.

Aconteceu quando percebemos que havia um ciclo natural das plantas, que nasciam e cresciam infinitamente e, nessa região, os cereais eram abundantes e foi com eles que começamos a tal revolução. Percebendo que podíamos cultivar esses cereais, deixamos de ser nômades e passamos a estabelecer residência fixa e a ampliar nossas comunidades.

Pois bem, os cereais eram amassados para se tornar farinha que, unida com água, formava uma massa e, exposta ao sol ou ao fogo, se tornava o pão, alimento fundamental na nossa história. Mas onde entra a cerveja?

A hipótese mais lembrada é que, em certo momento, uma colheita de grãos ficou exposta à chuva, que inundou os cereais que, por sua vez, começaram a germinar. Nesse estado, não é mais possível torna-los
farinha e o povo decidiu secá-los ao sol (ou ao fogo). Esse processo de germinar o cereal e interromper a germinação com calor, dá origem ao que chamamos hoje de malte. É o processo de malteação, quando ativam-se enzimas dentro do grão que quebram os açúcares contidos ali dentro - em partes menores, eles serão então consumidos pelas leveduras, mas disso falaremos mais tarde, voltemos à história do malte.

Quando aquele cereal foi exposto ao calor, parou de germinar, mas continuava macio demais para se fazer farinha. Então, para não perder a colheita, resolveram fazer um tipo de sopa ou mingau. Ao passar dos dias, a sopa de cereais começou misteriosamente a borbulhar. Era o
processo de fermentação. O líquido, provavelmente era azedo, mas trouxe uma novidade para as pessoas, a embriaguez, uma alteração de consciência, que certamente os agradou.

A partir daí a cerveja passou a ser produzida constantemente, assim como o pão, e os dois irmãos passaram a acompanhar a humanidade desde então.

A definição primordial de cerveja é: um fermentado de cereais.

Qualquer cereal pode ser usado para produzir cerveja, porém alguns deles são mais eficientes que outros. O cereal mais usado é a cevada, seguida pelo trigo, a aveia e o centeio, porque são cereais que trazem maior contribuição na cerveja. Também podem ser usados cereais não maltados como o milho ou o arroz, porém nesse caso a única contribuição são os açúcares que serão transformados em álcool. O malte é a estrutura da cerveja e é a partir dele que acontece a fermentação.

Dos maltes vêm a coloração e boa parte do gosto e aroma de uma cerveja, portanto é a alma da bebida. Após a colheita, os cereais são submersos em água por alguns dias, para que comecem a germinar e então essa germinação é interrompida com calor, e aí temos o malte verde. A partir daí, as maltearias continuam a tostar esse malte e o nível de tosta dará origem a inúmeras variedades de maltes, cada uma com uma caraterística de cor e sabor que, combinadas na receita da cerveja, trarão colorações e sabores distintos, resultando em estilos diferentes. Mas isso também é assunto para outro dia. Fique ligado e não perca os próximos capítulos.

Saúde!

Vinícius H. Masutti

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