21 de janeiro de 2018 - 15:03

Beba menos, beba melhor!

Esse é o lema das cervejarias artesanais que formam um movimento que tem como um dos objetivos fazer com as pessoas aprendam a beber do jeito certo

Vinicius Masutti

Beba menos, beba melhor!

Esse é o lema das cervejarias artesanais que formam um movimento de cultura cervejeira, que tem como um dos objetivos fazer com as pessoas aprendam a beber do jeito certo. Se você lê essa coluna, é porque está atrás informação, que leva á boas cervejas e que por sua vez, inevitavelmente leva a um consumo menor, mas com mais qualidade.

Nós aprendemos errado, por conta de anos de publicidade massiva de mega cervejarias, incentivando o consumo exagerado de cerveja, afinal só produziam (mal) um único estilo e para ganhar mercado optaram em direcionar o consumidor para o consumo excessivo. Mas quando a gente passa a selecionar melhor as cervejas e provar vários estilos, acaba consumindo menos por dois motivos. Primeiro porque uma boa cerveja tem inúmeras nuances de sabor e portanto, dá vontade de tomar aos poucos para apreciá-los e segundo, claro porque o custo de uma cerveja superior é mais elevado. Mas é uma questão de custo x benefício.

Vez ou outra, acompanhando o atendimento de uma equipe que esteja treinando ouço o famoso “mas eu bebo pra ficar bêbado”. Uma frase muito triste, mas que minhas equipes costumam consertar bem rápido. O álcool é uma substância alteradora de consciência e claro, é um dos motivos pelo qual todas as civilizações inventaram alguma bebida, que quase sempre era usada para fins espirituais e mais tarde também para fins terapêuticos, porque o álcool em doses moderadas, traz relaxamento entre outros benefícios.

Por meio da exploração da cerveja e seus estilos, a gente acaba percebendo que a embriaguez é secundária, e deve ser a consequência e não o objetivo. E isso acontece porque quando temos contato com os aromas e sabores complexos de uma boa cerveja, vinho, whisky ou cachaça, são eles que nos embriagam, mais do que o próprio álcool. Os monges da ordem Trapista por exemplo, são historicamente produtores de cerveja (da mais alta qualidade), mas são monges e a produzem porque é um rico alimento (eles tem períodos de jejum em que não comem nada sólido), mas jamais podem se embriagar e nem pretendem.

Se seu objetivo é a embriaguez (não é um bom objetivo), pode atingi-la da melhor maneira possível, saboreando boas cervejas. Não existe desculpa para continuar bebendo sempre a mesma cerveja barata. Minha função principal como Sommelier é a de educação alimentar, que vem acompanhada de educação cultural e até financeira, porque quando você bebe bem, a cerveja é um investimento e não um gasto, portanto, termino esse texto como comecei, sugerindo que você beba menos, mas beba melhor. Saúde

Vinícius H. Masutti