15 de agosto de 2017 - 07:00

Saula Ouverney

É por isso que decidimos cuidar dos animais carentes

Diferentemente do tratamento dado aos seres humanos, não há instituições responsáveis por cuidar dos bichinhos

Saula Ouverney

, da Redação

Acervo pessoal

Saula Ouverney

Você já parou para pensar porque algumas pessoas acolhem animais abandonados?

Por que tanta dedicação a esta causa?

Em meio à correria do dia-dia, você sai para o trabalho e se depara com um trânsito mais lento. Se estiver atento, poderá observar a quantidade de animais soltos em vias públicas, necessitando de socorro, revirando lixos, correndo risco de atropelamento.

Já questionou o que os levou a passar por esta situação? Escolheram eles este destino?

São diversos fatores ético- ambientais, aliados ao modo de vida dos grandes centros urbanos, às baixas condições econômicas, à irresponsabilidade de alguns cidadãos, bem como à ausência de políticas públicas específicas para o bem-estar animal que geram esse desequilíbrio.

Por outro lado, também cresce o número de pessoas sensibilizadas com o sofrimento e a vulnerabilidade desses animais, aos quais unem forças e oferecem o devido socorro. É um trabalho voluntário, de muita dedicação e carinho, que envolve todo um processo, desde o momento do resgate, com custos veterinários e lar temporário, até a definitiva adoção responsável.

Mas de onde vem todo esse amor pelos animais? Por que não utilizam esses mesmos recursos gastos para ajudar os animais e aplicam em iniciativas para ajudar pessoas necessitadas? Por que não acolhem crianças das ruas, por exemplo?

Esse questionamento tem lá as suas razões, mas vemos por um outro ponto de vista. Ainda não há um Sistema Único de Saúde (SUS) que atenda animais violentados e doentes. Não há um conselho tutelar que acolha animais vítimas de maus tratos, tampouco aposentadoria para aqueles que puxam carroças ou são abandonados na sua velhice. Concordo que nenhum desses sistemas é o que deveria ser, mas a sua própria existência já é um auxílio, imagine um país sem isso? É nesse país que habitam esses animais. Por isso a dedicação.

Como representante e ativista da causa animal, posso dizer que acolher um bicho necessitado não me impede de ajudar pessoas. E o que me move a fazer esse trabalho é a capacidade de me colocar no lugar do outro. Se cada um fizesse um pouquinho, o mundo estaria melhor.

E por que os animais? Porque ao amparar um bichinho meu coração transborda de ternura. Porque através dos seus olhos eu vejo vida, uma vontade imensa de viver! O sangue que corre naquele “pulsinho” é da mesma cor que o meu, possui a mesma Potência Divina que a minha.

Reconheço que suas limitações não são diferentes. Que o medo, a fome, a dor, alegrias e tristezas são expressados da mesma forma que um ser humano.

A ciência avança e comprova que os cães e os gatos possuem emoções, assim como nós. Resultados de ressonância magnética mostram que eles usam a mesma parte do cérebro para “sentir”. A capacidade de experimentar emoções positivas, como amor e apego significa que eles têm um nível de sensibilidade comparável ao de uma criança humana.

Somente através da conscientização e de um esforço coletivo, mudaremos essa triste realidade. Todos os seres merecem ser tratados com dignidade! Se você também se entristece ao ver um bichinho sem rumo, dê uma chance a ele, mude seu destino e compartilhe dessa emoção! Nós não podemos mudar o mundo, mas podemos mudar o mundo de um animal.

Para concluir o texto, deixo um pensamento que me motiva. “Quando se é capaz de lutar por animais, também se é capaz de lutar por crianças ou idosos. Não há bons ou maus combates. Existe apenas o horror ao sofrimento aplicado aos mais fracos, que não podem se defender.” Brigitte Bardot.