06 de março de 2017 - 14:56

Viva a indústria da multa

Por Renato Pereira

Sei que vou ser multado por conta do mau hábito de não usar cinto de segurança em algumas ocasiões. Pago e não chio, quem sabe assim aprendo a não selecionar as leis de trânsito que devo cumprir e ignorar as que não me agradam. A prefeitura está de parabéns nessa nova luta de multar os descuidados ou desobedientes que teimam em desorganizar o trânsito em Cuiabá.

Apoio integralmente a nova “indústria da multa”, que é o apelido pejorativo que pessoas que estão satisfeitas com esse nosso trânsito bagunçado, dão ao processo que insiste em disciplinar a conduta dos motoristas.

O uso das câmaras espalhadas pela cidade para multar pessoas que burlam as leis anunciado pela prefeitura é muito bem vindo. Só tenho um reparo: pela descrição que vi dos delitos que serão detectados não notei o excesso de velocidade, que talvez seja o mais recorrente e danoso deles.

Para controlar a pressa dos motoristas, hoje temos algumas lombadas eletrônicas e os eficientes quebra-molas, mas por serem poucos, só conseguem reduzir a velocidade em lugares previamente escolhidos. No resto das vias o abuso é generalizado, sendo comum ver carros transitando a mais de 100 km/h nas vias principais da cidade, ziguezagueando entre uma pista a outra, e freando nos lugares onde podem ser multados ou corram o risco de danos mecânicos do veículo.

Minha opinião é que simplesmente distribuíssem placas alertando sobre a velocidade máxima das ruas e avenidas. Deveríamos abolir qualquer aviso sobre a existência de aparelhos monitoradores de velocidade. Parece-me algo totalmente deseducador avisar que em tal lugar será medida a velocidade do carro. Afinal o limite vale para todos os pontos da via e não somente nos lugares onde tem radar. Os equipamentos de medição deveriam ser portáteis e usados nas principais vias a qualquer hora, emitindo com rapidez a multa aos infratores.  

A multa por descumprimento das leis de trânsito nem deveria ser motivo de polêmica, pois todos podem estar livres dela, basta obedecer às normas. Mas o mau hábito dos infratores que acham que as leis são feitas para os outros (é o meu caso com o cinto) e a atitude de políticos que cansaram de se eleger combatendo multas acabaram criando comportamentos deletérios que precisam ser eliminados.

Acrescente-se o comportamento de alguns funcionários desonestos do Detran que ajudam a descumprir a lei, mediante propinas, retirando multas e dando documentos a quem não poderia tê-los.

Estou interessadíssimo no sucesso dessa empreitada da prefeitura, porque quase sempre elas dão em nada. Até hoje, os prefeitos perderam em pouco tempo o ímpeto inicial de modernizar o transito. Basta aumentar as reclamações dos usuários nas redes sociais, que o medo da perda de votos os faz recuar. Sempre foi assim, tomara que agora seja diferente.

Assinatura Renato de Paiva