29 de maio de 2017 - 11:15

Realidade Imaginada

da Redação

Não morro de amores pelo (ex?) presidente Temer, mas acho que ele (está) estava fazendo um bom trabalho, considerando as complicadas circunstâncias do país, deixadas pela esquerda que o governava antes.

Há claros sinais de melhora após um ano de governo: a inflação está abaixo do centro da meta, os juros da taxa básica em queda constante, o risco Brasil inferior a 200 pontos, a avaliação das agências de classificação de risco melhoraram e, principalmente, começava a diminuir o desemprego.

Fora os militantes do PT, que apostavam na piora da economia, a população em geral e o setor produtivo estavam progressivamente acreditando mais na recuperação.

A saída do presidente determinará uma paralisação na atividade geral, como aconteceu na fritura e posterior eliminação de Dilma. Condenei na época o afastamento dela por não estar convencido de sua culpa. As tais pedaladas foram uma desculpa para eliminá-la.

Em maio de 2016, escrevi: “No segundo mandato, quando quis redimir-se da burrada que fizera, tentou (Dilma) consertar a cagada, propondo entre outras coisas assumir o déficit fiscal, rediscutir a Previdência e ressuscitar a CPMF. Aí deputados e senadores não lhe permitiram a tentativa de reparar o erro. Foram contra as propostas dela, atrasando em mais de um ano o início da recuperação do país”.

Os políticos afirmaram que, naquele momento, a presidente não tinha mais condições de governar, e era verdade. Mas não tinha porque não deram. Se lhe tivessem dado apoio, a recuperação começaria mesmo com ela governando.

Perdemos mais de um ano com a Dilma sangrando, começamos a melhorar com o Temer e vamos perder tudo de novo nesse novo impedimento/afastamento/renúncia ou inércia.

Antes de explodir a bomba JBS, eu condenava o movimento de afastamento do presidente por ser uma ação totalmente política, estimulada pelo poli denunciado e seu partido, que teimam em voltar ao poder para terminar de aniquilar o país. Agora, vejo que é quase impossível ele terminar o mandato tampão. As mesmas desavenças políticas que defenestraram Dilma eliminarão Temer.

As antigas sociedades belicosas, cuja maior atividade era promover brigas e saques entre grupos e tribos, só passaram a prosperar quando entenderam que era perda desnecessária de energia saquearem-se mutuamente e uma idiotice matarem-se uns aos outros nas batalhas. 

A política é o lugar onde ainda se ignora essa conquista evolutiva. Lá, grupos opositores, aplaudidos por eleitores inconsequentes, digladiam-se diariamente para evitar o sucesso dos que estão no comando. Quando uma turma governa, a outra faz o impossível para impedir o sucesso. Atos que o grupo A repudia e o B apoia, serão condenados por este último e louvados pelo primeiro se inverterem as posições de mando. Foi assim com Temer, que conseguiu algum apoio para muitas medidas que Dilma quis aprovar sem sucesso.

Essa história de valorizar a oposição irracional, como o senso comum defende, em prejuízo da cooperação, talvez seja uma “realidade imaginada” ou “ordem imaginada”, que é a aceitação de algo “inventado” como se fosse uma verdade incontestável.

Estranho que a sociedade aceite o prosseguimento deste jogo deletério (situação contra oposição), que traz prejuízos reais para todos no longo prazo.

Assinatura Renato de Paiva