31 de julho de 2017 - 14:43

Enrola o rabo e senta em cima

da Redação

As estatísticas sobre emissões de CO2, o gás do efeito estufa, disponíveis na internet variam conforme a tendência ou ideologia de quem as publica. Há os amantes das catástrofes que enxergam o fim do mundo logo ali na esquina e os totalmente descrentes. Estes últimos afirmam não haver nenhum perigo para a terra, como quer, por exemplo o presidente americano, que não tem o menor interesse de diminuir a emissão de poluentes do país.

Na verdade, mesmo os que dizem crer em um iminente desastre publicam posts que são muito mais destinados a receber “likes” nas redes sociais do que sugerir algo concreto na defesa do planeta.

Os que não comem carne, por exemplo, garantem que os animais, principalmente bovinos, são os maiores responsáveis pelo aquecimento e por isso aconselham a comida vegetariana ou vegana.

Outros, estes inimigos dos carros por amarem as bicicletas, divulgam na sua tribo que ir para o trabalho de “bike” tem uma enorme influência na reversão do processo degenerativo do mundo.

Há ainda os apaixonados pela reciclagem do lixo; os que garantem que a verdadeira economia viria do uso intensivo de energia solar ou eólico e os que afirmam que a agricultura orgânica é a salvação da pátria.

Neste ano, pesquisadores de duas universidades, uma do Canadá e outra da Suécia, desenvolveram uma ferramenta que identificaria os verdadeiros causadores do aquecimento da terra.

Eles chegaram à conclusão que quem quiser realmente contribuir para a diminuição do ritmo do aquecimento precisa simplesmente decidir ter um filho a menos. Isto mesmo, se quem tem 3 filhos tivesse dois, ou se quem tem dois se contentasse com um, estaria garantida a perenidade da terra.

Os três principais hábitos de humanos ricos e gastadores, segundo eles, responsáveis pela destruição da terra, são: o uso do carro, viagens aéreas e consumo de carne. Supondo que estes três contribuíssem com 100 pontos em uma escala de poluição, os carros totalizariam 50 pontos, os vôos 33 pontos e a carne 17 pontos.

Acrescentam ainda os pesquisadores que a economia de poluição gerada pela decisão de um casal americano de ter um filho a menos, seria equivalente ao esforço de 700 pessoas comuns reciclando lixo.

Repisar a ideia de que a China ultrapassa os Estados Unidos em poluição desconsidera o fato de que lá vivem mais de 1,3 bilhão de pessoas. O problema maior é a emissão de gás poluente por pessoa: um americano médio emite mais CO2 do que 3 chineses ou 6 indianos.

Seria bom que os grandes poluidores do mundo se preocupassem com o que realmente conta. É muito confortável esconder os defeitos próprios atrás dos deslizes dos outros. Ou dito de outra forma: o macaco enrola o rabo, senta em cima, e critica o rabo do outro.

Assinatura Renato de Paiva