13 de agosto de 2017 - 11:00

Câmeras de monitoramento

Os países que conseguiram progredir o fizeram obrigando as pessoas a cumprir as leis; uma das formas mais eficientes para conseguir esse objetivo é aplicar multas

da Redação

Em março deste ano, em artigo para a mídia local, louvei a atitude do prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro, que anunciava a aplicação de multas com base nos flagrantes das câmeras destinadas à vigilância do trânsito nas principais vias de Cuiabá. Escrevi na ocasião que estava interessadíssimo no sucesso da empreitada porque quase sempre, como a história recente da cidade mostra, medidas como esta sempre deram em nada.

Essa semana ficamos sabendo que mais uma vez deu em nada mesmo: com medo de perder votos dos maus cidadãos, aqueles que teimam e desobedecer as leis, o prefeito anuncia, como se tivesse fazendo um grande bem à cidade, que desautorizou a emissão de multas.

Aliás este é um procedimento recorrente aqui na capital. Alguns políticos locais se elegeram para cargos públicos questionando multas de trânsito e vangloriaram-se de anular punições a motoristas incivis.

Os que teimam em furar sinal, estacionar na calçada, dirigir em alta velocidade no perímetro urbano devem ter ficado satisfeitos com esta decisão do prefeito de cancelar as multas.

Mais uma vez, a administração municipal, na busca de votos ou com medo de perder os que tem para a reeleição, desiste de utilizar as tais câmeras para iniciar um processo de civilização no nosso trânsito. Parece que os políticos locais acham muito mais interessante mirar no exemplo do trânsito da China, onde carros disputam na buzina espaços com pessoas e outros carros, em uma confusão absurda, do que copiar o padrão de respeito e civilidade da maioria dos países Europeus.

O chefe do executivo bateu no peito e afirmou, para o gáudio dos maus motoristas, que não quer esse “dinheiro maldito das multas de trânsito”. Frase pior que essa só a de um antigo prefeito que, quando estava em andamento a privatização do sistema de água da cidade, escreveu em outdoors espalhados pela cidade: “Água é vida e vida não se vende”.

Se esse dinheiro fosse maldito o Município, o Estado e a União não deveriam cobrar multa sobre sonegação de impostos, excesso de velocidade e tantas outras indispensáveis para disciplinar os que teimam em levar vantagens.

Ainda mais: todos nós podemos livrar-nos das punições originadas das câmeras e monitoriamento, basta respeitar as regras que todos conhecemos, cujo cumprimento poupa danos a nós mesmos, a terceiros e, principalmente, salva vidas.

Os países que conseguiram progredir no processo civilizatório o fizeram obrigando as pessoas a cumprir as leis e uma das formas mais eficientes para conseguir esse objetivo é a aplicação de multas.

Sou totalmente favorável à tal “indústria da multa”, convencido de que, sem ela, vamos conviver por muito tempo com a barbárie. Com certeza, somente pessoas inaptas para o convívio social defendem a ideia de não punir os transgressores.

Assinatura Renato de Paiva