10 de agosto de 2017 - 13:41

A prepotência dos ricos

da Redação

No fim de junho na Suécia, o presidente Temer recebeu um constrangedor puxão de orelha porque o Brasil não teria cumprido a meta de diminuir o desmatamento em contrapartida à grana que aquele país desembolsou para tutelar nossas florestas.

Representantes da ONG WWF classificaram o episódio como humilhante, não o pito, visto por eles como necessário, mas o fato de não termos cumprido o compromisso de reduzir o desflorestamento do tanto que eles queriam.

Interessante como esses europeus que derrubaram as florestas para fazer cidades, fábricas e estradas e com isso conseguir o padrão de vida de que hoje desfrutam, intrometem-se na vida dos que chegaram atrasados ao butim ecológico.

Mas nós somos culpados pela indesejada intromissão. Ao pedirmos dinheiro do mundo rico para preservar nossas matas, aceitando as condições que eles impõem, estamos de alguma forma dando-lhes a oportunidade de palpitarem em nossos problemas internos e passar-nos carraspanas como se fôssemos alunos do primeiro grau que não fizeram a tarefa que o professor passou.

Nossa atitude deveria ser soberana, impedindo definitivamente a ingerência de estrangeiros em nossas coisas. Temos um bem valioso que são nossas matas tropicais, absorvedoras eficientes do CO2 que o mundo emite. Nunca deveríamos pedir esmolas para mantê-las, mas sim vender a bom preço o uso desse eficiente pulmão vegetal para os que detonaram o seu, e hoje se preocupam com o ar que estão respirando.

Pressionados por ONGs verdes e governos enxeridos aprovamos leis ambientais demasiadamente severas que nos custam, conforme estimativas do Ministério da Agricultura cerca de 2 trilhões de reais, fortuna imobilizada pelos produtores para prestarem de graça impagáveis serviços conservacionistas ao planeta.

Essa estimativa de custo foi divulgada em artigo do Secretario Executivo do Mapa, Eumar Novacki, publicado recentemente na imprensa. Aliás, uma das poucas autoridades que vem a público contestar o senso comum, inclusive dos brasileiros, que sacraliza o ambiente, ignorando que debaixo das árvores não é possível colher arroz, feijão, soja, milho ou produzir carne.

Europeus não tem o topete de boicotar os Estados Unidos embora eles sejam os maiores poluidores per capta do mundo, mesmo sabendo que o planeta não suportaria o padrão de consumo deles se estendido a todos os habitantes. É mais fácil exigir do Brasil que preserve, em alguns casos, até 80% da área de floresta, sob pena de não comprar nossas commodities agrícolas, do que enfrentar o poluidor maior, que não está nem aí para a preservação ambiental ou para as críticas dos ambientalistas.

Por enquanto temos que atender as exigências dos que hoje “serram de cima” se quisermos vender-lhes nossa produção agrícola. Um dia talvez, sem pedir favor ou donativos, consigamos obrigá-los a nos recompensar pelo “serviço” de nossas árvores, que diuturnamente absorvem CO2 e devolvem oxigênio, sem cobrar nada por isso.

Assinatura Renato de Paiva