15 de setembro de 2017 - 11:59

Por que a atração em fazer sexo com mulheres de 50 virou um espanto nacional?

O fato é que muitas só atingem a plenitude sexual após os 40 anos, o que é amplamente reconhecido pelos homens

Juliana Arini

, da Redação

Depois da prisão de Joesley Batista, o bilionário brasileiro, proprietário da J&F, um dos maiores conglomerados de carne do mundo (antiga JBS), o assunto foi posto de lado. Porém, desde que a privacidade de Batista acabou nas manchetes nacionais, um tema martela na minha mente.

Joesley era apenas o típico empresário corrupto que (infelizmente) infesta os noticiários nacionais. Viciado em orgias, acostumado a gastanças absurdas, um pagador de propinas milionárias, casado com uma linda mulher mais jovem e tudo mais. Porém, recentemente o cara se revela um obcecado por velhinhas. “Eu ando invocado de comer velha por aí”, disse ao som de axé em uma das gravações reveladas após a delação da JBS....

Muitos se chocaram com a declaração. Não faltaram memes pelas redes sociais. E as piadas seguem até hoje. Porém, o que me espantou não foi o fato de Joesley preferir mulheres mais velhas à sua bela esposa com porte de modelo. O que mais me chamou a atenção foi o horror nacional que a sua declaração desencadeou.

Bem, em primeiro lugar, fazer sexo com mulheres de 50 anos não é estar com “velhinhas”, como sugere o próprio Batista. Ele tem 44 anos, logo uma cinquentona é apenas seis anos mais velha. O que faz com que essa distância geracional seja bem menor que a mente perturbada pelo álcool do empresário parecia poder calcular.

Geontofilia é o desejo sexual por idosos, geralmente pessoas com dificuldades de mobilidade e com sinais avançados de envelhecimento. Esse é o nome clínico da atração por pessoas mais velhas. Uma disfunção similar à pedofilia, que é o desejo por crianças.

Tanto um quanto o outro envolvem situações de abuso, ou seja, obter prazer sem o consentimento ou até mesmo com a dor de um ser em situação vulnerável por conta de uma grande distancia de idades entre os pares. 

Não é muito difícil perceber que o desejo de um homem de 44 anos por uma mulher de 50 anos é algo bem distante de uma tara ou geontofilia. Seria a traição de Joesley o que chocou o país? Ou não acreditamos que o sexo com mulheres de 50 anos possa ser algo tão bom a ponto de despertar o desejo em um dos homens mais ricos do Brasil?

Em uma pesquisa rápida entre amigos, percebo que existem vários casados com mulheres mais velhas. Alguns preferem declaradamente se envolverem com elas, as tais cinquentonas.

No mundo virtual, os fóruns “masculinos” parecem também confirmar as minhas desconfianças. Navegando por alguns, dá para perceber que a maioria dos homens declaram que: mulheres mais velhas são mais resolvidas emocionalmente, sabem se divertir com o sexo e conhecem o corpo delas e deles como ninguém. E, dizem os homens, são melhores no sexo oral.

Até o grande tabu masculino é debatido sem grande papas nas línguas. A vagina da mulher mais velha é maior que a da mulher mais nova? Não! Em tempos de pilates e pós-revolução sexual essa afirmação parece realmente ser um mito. Algo do passado, quando as mulheres ficavam restritas à casa e poucos recursos tinham para cuidarem e conhecerem os seus corpos.

Entre os homens com quem conversei e tudo que li, a maioria esmagadora diz que toda a experiência com mulheres mais velhas foi incrível ou no mínimo normal. Inclusive não apenas com mulheres de 50 anos, alguns contam de histórias com mulheres de 60 e até 70 anos...

Os cinquenta parecem ser os novos trintas. A lista de lindas mulheres dessa faixa etária não para. E sim, a grande maioria acompanhada de homens mais novos, ou muito bem amadas. Vamos lembrar que além de Madonna, existe Luiza Brunnet, Maitê Proenca, Rene Russo, Juliana Moonroe, Halle Berry, Cindy Crawford e a lista é longa.

Os americanos tem até um termo para essa geração feminina resolvida com a própria libido e que parece estar desbancando o modelo tradicional da “eterna juventude”, são as “cougars”, ou pumas, em uma tradução literal. Os felinos conhecidos no Brasil também como suçuaranas e leão-baio.

Os gringos também parecem adorar pesquisas sobre sexo depois dos 50 anos. Um estudo da Universidade de Pittisburgh indica que o sexo melhora para as mulheres dessa geração, pois muitas só conseguem atingir a plenitude sexual após os 40. Outro estudo do famoso The American Journal of Medicine, da Universidade de São Diego revelou que as mulheres de 67, e pós a menopausa, conseguem sentir muito mais prazer.

O fato mais triste, quando vemos as manchetes sobre as confissões de Joesley, é percebermos que muitos ainda associam o desejo por uma mulher experiente a um desvio sexual. E esse parece ser ainda um tabu comum no país, dada a péssima repercussão das declarações de Batista.

O único ponto divertido de toda história é que nem tudo são flores quando pensamos na sexualidade dos homens depois dos 50. Para quem (como eu) não gostou nada da forma como o bilionário tratou a própria esposa e a sua compulsão em traições, a Universidade do Estado de Michigan tem outro estudo revelador. A pesquisa alerta que o sexo na idade de Joesley Batista é muito bom para as mulheres, mas aumenta os riscos de doenças cárdiovasculares para os homens. Como diria Ivete Sangalo: “Porque morrer de amor. É brincadeira”!

Biografia Juliana