16 de março de 2017 - 16:10

Um pouco de memória não tão recente

Onofre Ribeiro

A memória histórica em Mato Grosso tem sido jogada no lixo continuadamente. Há um descuido imperdoável com tudo o que acontece aqui. Parece que o tempo não conta em Mato Grosso. É como se ontem nunca tivesse existido. Como se só houvesse o hoje. Como se o futuro não fosse uma construção do ontem, do hoje que resultará no amanhã. Amanhã será o futuro. Ele não nascerá do nada. Terá sido construído!

Alguns fatos não poderiam passar despercebidos porque foram relevantes no passado para que chegássemos ao momento presente. Estou me lembrando que no dia 15 de março, em 1979, tomava posse o primeiro governador do Estado de Mato Grosso, logo após a divisão que se dera a partir de 1º de janeiro. O primeiro governador de Mato Grosso do Sul tomou posse em 1º. de janeiro de 1979.

Gostaria de resgatar alguns dados. O governador empossado foi o engenheiro Frederico Campos que governou até 15 de março de 1983. O ambiente era péssimo. A separação do Sul do estado trouxe a incerteza sobre o futuro. Pouco desenvolvimento, pouca infraestrutura, população de 1 milhão de habitantes, pouco peso político, produção baixíssima. A maior riqueza ainda era a pecuária pantaneira, mas estava em sua maior parte em mãos de pecuaristas sul-mato-grossenses.

Orçamento baixo, problemas grandes, administrar Mato Grosso nessas condições era o desafio do governador e das bancadas parlamentares. Sorte que era um tempo em que os parlamentares tinham efetivo compromisso com a sociedade e com o Estado. Lembro-me de assistir o governador Frederico Campos, um gestor dedicado e determinado, em sucessivas viagens a Brasília tentando pôr em prática as normas previstas, imprevistas e as esquecidas no corpo da Lei Complementar 31/77 que promoveu a divisão do Estado.

Todas as dívidas assumidas anteriormente foram debitadas a Mato Grosso. O Sul nasceu zerado. Passar essas dívidas para a União deu muito trabalho. Depois organizar finanças, infraestrutura, etc, eram desafios monstruosos na época. Mas o pior, na minha visão de testemunha, foi levantar a auto-estima dos mato-grossenses, profundamente abalados pela separação do Sul. A ideia era a de que quem sustentava a economia em Cuiabá eram os sulistas. Muito medo em Cuiabá. O tempo passou, a reação veio muito forte na economia. Os migrantes chegados na década de 1970 somaram-se aos mato-grossenses e, em dezembro de 1979, já se emanciparam 20 novos municípios. Eram 56 e hoje são 141, com grande represamento de comunidades desejando se emancipar.

Anos e anos se passaram até os 38 atuais. Penso que esta história deveria ser contada. Quem sabe pelos historiadores, enquanto os principais atores da aventura ainda vivem...! E até mesmo, antes que a maioria dos fatos não escritos se perca.

Em artigo próximo gostaria de fazer um resgate desse marco histórico pra Mato Grosso, que foi a separação da sua região Sul, fato que ficou conhecido como a divisão do Estado.

Assinatura Coluna Onofre