30 de novembro de 2017 - 10:44

Miss Universo: concurso valoriza beleza e histórias de superação

Na ultima edição do Miss Universo, ficou evidente que não só a beleza em si é fator determinante para vencer. A recém-eleita foi vítima de sequestro e criou um programa de defesa pessoal

Camilla Della Valle

Steve Marcus/Reuters

Miss Universo 2017

A beleza é a qualidade de tudo que é agradável de se ver, sentir e viver. Capaz de encantar quem a contempla, está em gestos, olhares e sorrisos. Mas também na simplicidade de sermos quem realmente somos. Obviamente, seria impossível uma definição absoluta, pois cada um tem um conceito sobre o que julga ser belo. Com tal conclusão, seria possível escolher uma beleza universal?

O Miss universo é um dos concursos de beleza (existem muitos outros, contudo, ele é o mais famoso) realizado desde 1952 para este fim. Dezenas de representantes de todo o mundo são avaliadas por jurados, que escolhem a cada ano a mulher mais bonita do universo.

A edição de 2017 aconteceu no último domingo (26.11), em Las Vegas, USA, e teve como vencedora a Miss África do Sul, Demi-Leigh Nel-Peters (22), que era uma das grandes favoritas nas redes socais, e que, na minha opinião, mereceu a vitória. Em segundo lugar, ficou a Miss Colômbia, Laura González Ospina, e em terceiro, a Miss Jamaica, Davina Benett – que na minha opinião, foi longe demais. Mas como se diz, não se ganha o título apenas na noite do concurso. A nova Miss Universo, formada em administração de empresas, já havia criado um projeto social interessante: após ser vítima de sequestro, só se salvou porque lutou contra o agressor e conseguiu escapar. Depois disso, decidiu usar sua experiência como exemplo, e criou um programa de defesa pessoal para mulheres.

A brasileira, Monalysa Alcântara (18), se classificou no top 10, uma boa classificação, afinal, eram 92 candidatas na disputa. Acontece que nós brasileiros amargamos a marca de 49 anos sem eleger uma Miss Universo. E nos últimos tempos, tem se questionado muito e buscado uma justificativa para esse hiato tão prolongado. Seria a falta do inglês? Ou o pouco tempo de preparação, já que o Miss Brasil acontece quase às vésperas do Miss Universo? Ninguém pode afirmar nada. Talvez haja muitos outros fatores envolvidos.

Mas sempre é assim. O resultado nunca agrada a todos. E ainda há uma verdadeira guerra entre torcidas fanáticas (principalmente colombianos, venezuelanos, e também brasileiros!), o que é reprovável.

Há quem veja o concurso como algo fútil, ou um modo de “explorar” as mulheres. Eu o vejo como uma excelente oportunidade de carreira e exemplo de motivação. Afinal, o primeiro passo para participar é acreditar em você mesma, e transpor as barreiras da insegurança e de qualquer preconceito. Todas as participantes enfrentaram uma difícil jornada que poucos conhecem. Por trás das faixas e abaixo das coroas, estão mulheres de verdade, com dificuldades ainda mais reais.

E aqueles que pensam que basta ser bonita para vencer, estão muito enganados. Cada uma das misses enfrentou medos e preconceitos para estarem ali no seleto palco em que apenas as corajosas chegam. Sim, são mulheres que ganharam na loteria genética da beleza, mas souberam o que fazer com esse prêmio. São engenheiras, médicas, modelos, advogadas, que somaram as feições harmônicas com muito trabalho e dedicação. Uma “minoria” admirável, que sofreu as mais terríveis e maldosas críticas, viveu uma rotina intensa de preparação e abriu mão de liberdades.

Tenho propriedade para dizer tudo isso, porque já fui miss e conheço muitas delas. Não tive a oportunidade de ir ao Miss Universo, mas fiquei em quarto lugar no Miss brasil 2015. Particularmente, fiquei satisfeita com o resultado deste ano. A miss eleita, além de belíssima fisicamente, tem 1,70 m de altura (bem como as vencedoras de 2016 e 2015, uma sequencia que há muito não acontecia). O que tem isso? Bom, para os críticos de misses, essa altura é quase inadmissível. Eu mesma fui alvo de criticas por ser considerada “baixinha”, enquanto outras qualidades ficavam de lado. Um preconceito bobo, vindo de críticas sem fundamento. Altura é um mero detalhe, insignificante diante de outros como simpatia, inteligência e atitude.

E desde 2015, o Miss Universo está sob nova organização. Donald Trump vendeu o concurso para uma das maiores agência de talentos do mundo, a WME-IMG. Se a nova organização continuar com o formato atual, que tem valorizado a historia pessoal e profissional das candidatas, teremos cada vez mais misses não só belas, mas inspiradoras e com grandes propósitos. Nada é impossível... O primeiro passo é acreditar em si mesma.