02 de fevereiro de 2018 - 07:20

Qualidade e inovação no concurso da Educação de MT

Por Marco Marrafon

Investir na valorização do profissional da Educação e selecionar os melhores, com máxima qualidade, garantindo aos estudantes aprendizagem e formação cidadã. Essa foi a determinação do governador Pedro Taques quando cumpriu seu compromisso e autorizou o maior concurso da história da educação de MT, com 5.748 vagas nas diversas áreas de atuação. 

Para alcançar esses objetivos, foram adotadas inúmeras inovações, dentre elas a exigência de nota mínima de desempenho em todas as matérias (nota 5,0) e, em especial, a inédita prova didático-oral para os professores da rede estadual. Conversei com inúmeros educadores em todo o Brasil e não encontrei registro dessa modalidade de avaliação em concursos da educação pública básica, em especial aqueles com grande número de candidatos.
Nada mais justo, então, exigir em concurso, para o futuro professor do ensino fundamental e médio, algo que, até então, apenas as universidades e os concursos jurídicos exigem.

Conectamos o Estado de Mato Grosso e o Brasil ao que há de mais moderno e consagrado em processos seletivos da educação em todo o mundo, gerando benefícios cujos efeitos serão sentidos pelo menos nos próximos 30 anos.

É assim na Finlândia (1º lugar no Pisa durante uma década), onde, além de provas orais e entrevistas, o candidato a professor tem o seu histórico escolar da universidade avaliado. Na Finlândia, todos os professores da rede pública têm, no mínimo, um mestrado.

Nos EUA, o Exame Práxis é exigido na maioria dos estados – e nele o futuro professor precisa demonstrar o domínio do conteúdo, facilidade em transmitir conhecimentos e outras competências básicas. Quem é aprovado no exame ainda terá que dar aulas por até dois anos, sob a supervisão de um professor licenciado, antes de obter sua própria habilitação.

Na Nova Zelândia, o candidato a professor deve provar que tem habilidades específicas para lidar com as crianças da faixa etária para a qual vai lecionar. Na Suíça, caso o candidato prove em seu currículo que tem domínio de conteúdo e experiências exitosas em sala de aula, ele ainda deve dar uma aula para uma banca examinadora, ao final da qual ainda deve falar de livros que leu recentemente.

Na Espanha, um dos concursos mais duros e concorridos, entre todas as carreiras, é justamente para o cargo de professor. O processo tem três fases: na primeira, avalia-se a competência, o currículo e o nível de conhecimento do candidato. Na segunda, avalia-se a experiência de ensino e, na terceira, uma espécie de estágio, avalia-se se o candidato tem vocação para ser professor.

Recentemente, Portugal regulamentou a Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades, com o objetivo de "ter nas escolas os mais bem preparados, mais bem treinados, mais vocacionados e mais motivados para desenvolver a nobre e exigente tarefa de ensinar", conforme documento publicado pelo governo. Além de aumentar as exigências para os candidatos a professor, a mesma regulamentação introduziu regras firmes para a formação contínua de todos os profissionais.

No Estado de Mato Grosso, nosso foco tem sido o de devolver ao professor a autonomia e a capacidade de planejar suas aulas e escolher os métodos adequados à realidade do aluno, que hoje tem mil e um atrativos dispersantes a mais do que o estudante de 20 ou 30 anos atrás. A escola deve, sim, ter um ambiente atrativo, mas o principal fator para isso é o profissional da educação, em especial o professor.

Por isso, além do concurso, redesenhamos o processo de formação – o novo Pró-Formação está em plena execução; e o de planejamento e diagnóstico – o Avalia MT – mobilizou a comunidade escolar em praticamente todos os municípios do Estado. Um sucesso, mostrando que a Educação em Mato Grosso está viva e avançando.

Quanto à valorização, já houve o incremento de mais de 44% de aumentos salariais, considerando o pagamento da RGA e os aumentos reais. Em tempos da maior crise econômica que o Brasil viveu em sua história, foi necessária muita capacidade de gestão para que o governador conseguisse honrar mais esse compromisso. E é preciso dizer, mesmo que ainda não seja o ideal, o salário do professor de Mato Grosso está entre os melhores do país quando considerada a proporcionalidade da carga horária – daí porque podemos atrair os melhores profissionais para se juntarem a um quadro que se mostra mais forte a cada dia.

Segundo o relatório da rede estatística Eurydice, “Números-Chave sobre Escolas e Líderes Escolares”, o desenvolvimento profissional contínuo é considerado um dever profissional dos professores em mais de 20 países e regiões Europeias – e o modo como os professores são selecionados tem relação direta com os resultados.

Inovamos, mostramos que é preciso investir em uma seleção de qualidade. Mostramos que sabemos fazer gestão, o maior e mais difícil concurso da educação de MT transcorreu em plena normalidade, superando desafios que surgiam normalmente no decorrer das etapas. O concurso está homologado e agora as convocações serão iniciadas.

Preparo, vocação e união de toda a sociedade com a comunidade escolar demonstra ser a receita para fazer a educação brasileira entrar nos eixos – e dar às futuras gerações de brasileiros uma chance de sobrevivência digna, com autonomia e cidadania.

Marrafon

 

02 Comentário(s)

Witney Reinande - 04.02.2018

Um Estado que tem mais de 13000 contratos e apenas 9000 professores efetivos não parece um Estado que privilegia a Educação. Com A cláusula de barreira, muitos bons profissionais que passaram por todas as etapas do concurso ficaram de fora e foram eliminados. Minha situação, que apesar de tirado 100 na didática, fiquei em 19 e só homologaram 15 para filosofia em Rondonópolis. Quem sai perdendo São os educandos do estado de MT.

Alex - 02.02.2018

Muitos otimos e excelentes professores foram prejudicados pela tal etapa da didatica, onde suas notas na etapa objetiva foram exelentes, demonstraram sua capacidade e inteligencia ao maximo, ali entre ele e o papel, estavam muitos da vez em primeiro lugar, mais com essa etapa didatica super desorganizada onde os avaliadores nao sabiam nem o que estavam fazendo ali, avaliaram muitos canditatos de forma regular e em que sua aula de 20min fosse suficiente para prejudica-lo por uma vida toda, perdendo ate seu investidura no cargo. Isso aconteceu comigo, fiquei em segundo lugar na objetiva e redaçao, fui para didatica me preparei 2 semanas para dar uma aula de 18 min. Para perde meu cargo pra uma pessoa que se encontrava na ultima posiçao dos classificados por ter ido na media na objetiva tirando apenas 54 pontos. Essa tal pessoa tira 100pontos na didatica, isso nao quer dizer q eu sou melhor que ele e nem ele melhor que eu, mas por ser uma aula de 20 min e avaliado por terceiro nao acho justos essa etapa. Vao me desculpar, porem esse concurso foi injusto e sem carater, desrespeito ao professores do estado de mt.

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