30 de junho de 2017 - 06:00

Fumaça, fogo e calmantes

Jornalista fala sobre a Faespe, fundação que fez contratos milionários com o poder público e está sendo investigada

Por João Arruda

 

Edson Rodrigues/O Livre

Sede da Faespe em Cáceres

Sede da Faespe em Cáceres




Um surrado ditado francês ensina, há séculos, que “onde há fumaça, há fogo”. Aqueles que tiveram acessos às informações sigilosas da primeira etapa da Operação Convescote sabem que, no subterrâneo dessa famigerada Fundação Faespe, onze mandados de prisão são apenas a “ponta do iceberg”.

O que se diz, e não sem pouca consistência, é que milhões de reais foram desviados e que esses “bagrinhos” teriam aproveitado para expropriar e se apropriar de parte de um montante superlativamente superior a R$ 3 milhões. Diriam até, infinitamente superior.

As autoridades envolvidas com a investigação cuidaram de, inicialmente, segregar os bagrinhos, colhendo suas oitivas que em parte formarão a base das futuras decretações de prisões, aí sim, dos cardeais da Faespe. Os bagrinhos, que são apelidados de “baixo clero”, já estão aderindo a essa nova onda que assola este país, a tal delação premiada.

"Um seleto grupo de cardeais sempre administrou essa dinheirama toda sem que nunca, jamais e em tempo algum, fosse prestado qualquer balanço à sociedade, e
nem mesmo ao meio acadêmico"

Sabe-se também que as instituições financeiras já atenderam as requisições das autoridades nos rastreamentos dos valores exorbitantes que foram despejados a culhão na Faespe.

Na verdade, um seleto grupo de cardeais sempre administrou essa dinheirama toda sem que nunca, jamais e em tempo algum, fosse prestado qualquer balanço à sociedade, e nem mesmo ao meio acadêmico.

Ali se “gasta às pampas” ou, como diriam os cariocas, à beça, sem qualquer controle externo por parte de quem deveria.

Por isso mesmo, nunca os proprietários de drogarias e farmácias em Cáceres obtiveram tanto lucro como nos últimos dias. Alguns pontos estavam prestes a encerrar as atividades e eis que agora vislumbram novos tempos, com os adventos nada alvissareiros do Gaeco. Algumas farmácias cacerenses já estudam criar lojas especializadas em calmantes.

Um renomado advogado, que circulava pilotando carros importados, estacionou o novo modelo, versão popular, e reservou toda a safra da maracujá de Dona Rita da Curvelândia.

Seria muita inocência acreditar que, em um esquema que se fala de R$ 100 milhões, serem presos apenas aqueles que trocaram suas bicicletas por motos de partida elétrica. Esses aí são os chamados “peixes miúdos”.

Deve ser por isso que foi anunciado que, em Cuiabá, já será ministrado curso superior na cadeia. Inicialmente, eu havia ficado surpreso com o número de 18 alunos, detentos, que já passaram no ENEM. Agora, vi que só estão esperando os professores chegarem às celas. Pelo visto, o curso de graduação será em Direito.

João Arruda é jornalista em Cáceres