28 de outubro de 2017 - 07:44

Comunicar para não grampear

Fabrício Carvalho

, da Redação

Tenho pensado no poder de comunicação das diferentes linguagens, nas ferramentas de que dispomos para alcançar o grande objetivo humano que é a comunhão com nossos semelhantes. E, na tarde da terça-feira 24 de outubro, quando participei do encontro de ideias do Grupo Coimbra de Universidades Brasileiras (GCUB), no Teatro da UFMT, tive ainda mais razões para voltar a pensar no caso.

Afinal, o tema daquele encontro, do qual participaram os professores da UFMT Alfredo da Mota Menezes (mediador) e Celso Prudente (que falou de cinema), Rogério da Silva Lima, da UnB (que falou de literatura), e eu falando de música, foi justamente o da internacionalização da cultura no âmbito dos países do Cone Sul. Ou, para sermos mais exatos, da internacionalização "pela cultura". A partir da Universidade.

Mas então, para alcançar essa tão sonhada internacionalização, é preciso definir o "como fazer".
Sim, a pergunta que se impõe é justamente esta: como fazer? De que modo pode a cultura contribuir com a internacionalização não só de nossas universidades como do país no seu todo, na economia, nas relações comerciais, mesmo na política, colocando-nos lado a lado com nossos hermanos? A rigor, creio que o ponto central é encontrar a forma de comunicação mais adequada. Quem não comunica se trumbica, já dizia o Velho Guerreiro.

No caso específico do universo acadêmico, aparelhos de cultura funcionando para fixar estudantes, professores, pesquisadores vindos de fora. Universidades que têm aportes culturais desenvolvidos, progressistas, de altíssima qualidade, são as mais atrativas para pessoas que venham de outros países. Este é o caso, por exemplo, das universidades americanas, que oferecem bolsas para áreas do esporte. Fica a sugestão para as nossas, em especial à UNEMAT, IFMT e UFMT.

Agora, falando num sentido mais amplo, como podemos trocar saberes com os países da América do Sul ou mesmo da América Latina? Com o que podemos contribuir com eles, aprender com eles e vice-versa, em termos de cultura, economia, política, enfim, novos conhecimentos?

Para a comunidade internacional de pesquisadores que participou do evento, ficou evidente que a cultura é sim uma ferramenta muito importante. Agora, pensando maior, para o país, talvez neste momento em que as diferenças entre pessoas, entre grupos, estão assim tão à flor da pele (o famoso "Fla-Flu" político), a cultura possa ser um elemento de equalização de diferenças porque ela é comum a todas as pessoas, a todas as nacionalidades e todos a veem com tolerância e simpatia. O investimento em cultura e educação, neste momento em que o governo retrai o aporte financeiro particularmente nessas áreas, talvez seja o mote para a reafirmação do sentimento de um Brasil soberano.

Cultura é comunicação. Cultura é educação. Este é o caminho. A cultura contribuindo para a integração latino-americana. Um movimento que nasce no Brasil, sim, mas que passa necessariamente por Mato Grosso, até por nossa condição geográfica favorável, de laços fraternos, de cultura entrelaçada com os povos irmãos.

Eu não preciso grampear pra saber o que o outro pensa; se eu me comunicar melhor, se eu tiver elementos em comum com ele, se eu permitir que o outro se expresse com tranquilidade, sem intransigência, não preciso grampear. Posso me comunicar e me fazer entender melhor.
Este é o caminho. Pela educação e cultura. E sem grampo.

Assinatura Coluna Fabrício

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