12 de fevereiro de 2018 - 09:17

O Rei Momo, o guardião e o prefeito do Rio

Qualquer operador do DataCarnaval sabe que os guardiães do Carnaval do Rio têm popularidade de 100%

Deonísio da Silva

O prefeito do Rio foi deposto na sexta-feira passada, e quem assumiu não foi o vice, foi um rei, o Rei Momo.

Como se vê, até o regime mudou. Contrariando o plebiscito de 1993, quando a monarquia obteve apenas 13% dos votos, desta vez não perguntaram nada à plebe, mesmo porque a plebe jamais foi republicana.

A plebe é monarquista desde criancinha e desde os primeiros carnavais, e continua monarquista até hoje, como demonstra o impeachment do prefeito do Rio, feito todos os anos na sexta-feira que abre os festejos do Carnaval. É verdade que é tudo de mentirinha, e o poder, exercido de sexta-feira à terça-feira gorda, é devolvido na quarta-feira de cinzas.

O prefeito do Rio compareceu ao sambódromo, mas a cerimônia da entrega das chaves foi realizada nos jardins do Palácio da Cidade, sua residência oficial. Quem cumpriu o papel que era do prefeito foi seu xará, Marcelo Alves, presidente da Riotur..

O tocaio passou o governo da cidade a Rei Momo de 2018, o bancário Milton Rodrigues da Silva Júnior, que, ao contrário do Brasil, já é hexa, uma vez que foi eleito rei por seis vezes consecutivas.

O prefeito compareceu com uma pequena corte, da qual fazia parte Nilcemar Nogueira, secretária da Cultura. Da corte de Rei Momo foram também a rainha Jéssica Maia e as princesas do Carnaval do Rio, Deisiane Jesus e Cinthia Camilo.

O certo é que todos, republicanos ou monarquistas, devem muito a Maurício de Jesus, presidente do Instituto Candonga, guardião das chaves da cidade.

Como a etimologia é assunto de programa semanal de rádio no Rio e foi parar num samba premiado na mesma sexta-feira, em votação direta dos ouvintes da Rádio Bandnews Rio, muita gente sabe que guardião é palavra que veio do meio militar. Era wardjan, sentinela, no gótico antigo, virou guardianus, vigia, no latim medieval, mas já com o significado estendido em outras direções, passou aos círculos religiosos para indicar o superior de alguns conventos e hoje, além de ser sinônimo de goleiro, de guarda-costas e de anjo da guarda, aplica-se com muita justeza a quem cuida do Carnaval do Rio.

Fazer o maior espetáculo da Terra não é fácil. O povo nele envolvido prepara-se o ano inteiro para este tríduo momesco, que não dura apenas três dias como o nome indica, mas quase uma semana, pois vai de sexta a quarta-feira.

Qualquer operador do DataCarnaval sabe que os guardiães do Carnaval do Rio têm popularidade de 100%.

Já o prefeito da cidade onde é realizado o maior espetáculo da Terra, conquanto eleito pelo povo, tem sido alvo de pesadas reprovações. Ninguém espera que ele seja rei da cidade, mas guardião, sim, tal como prometeu durante toda a campanha: cuidar das pessoas.

Assinatura Deonísio